
PF retira credenciais de agente de imigração dos EUA em retaliação (Foto: Instagram)
O diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, anunciou nesta quarta-feira (22/4) que a instituição retirou as credenciais de um agente de imigração dos EUA que atuava na sede da corporação em Brasília. A medida foi adotada com base no "princípio da reciprocidade" após os Estados Unidos expulsarem o delegado da PF Marcelo Ivo, que havia fornecido informações para a prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) em território americano.
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
"Faço isso com muito pesar. Gostaria que nada disso estivesse acontecendo", afirmou Andrei em entrevista à GloboNews. Na diplomacia, a reciprocidade é um mecanismo de equilíbrio onde ações de um governo são respondidas de forma semelhante pelo outro, para manter tratamento equivalente entre os países.
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
O delegado Marcelo Ivo de Carvalho já tinha sua saída do país programada por decisão do próprio diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. A delegada Tatiana Alves Torres foi nomeada para atuar como oficial de ligação no Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE), substituindo Marcelo Ivo, conforme portaria assinada em 17 de março e publicada no Diário Oficial da União três dias depois.
Apesar da nomeação, Marcelo Ivo, que ocupava o cargo desde 2023, deveria permanecer até agosto. No entanto, sua volta foi antecipada após as autoridades americanas o acusarem de "contornar pedidos de extradição".
ENTENDA O CASO
O episódio está relacionado à detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem nos Estados Unidos na semana passada. Considerado foragido pela Justiça brasileira, ele foi alvo de um pedido de extradição. A PF afirmou que a prisão se deu através da cooperação entre os dois países, enquanto os EUA alegam que o procedimento ocorreu após verificação do status migratório. Ramagem foi liberado dois dias depois, sem aviso prévio às autoridades brasileiras. Segundo os EUA, ele poderá permanecer no país enquanto aguarda resposta ao pedido de asilo. O Departamento de Estado americano acusou o delegado brasileiro de tentar "manipular o sistema de imigração" para evitar procedimentos formais de extradição, o que foi visto pelo governo brasileiro como uma quebra de confiança na cooperação bilateral, agora no centro da tensão diplomática.


