
Turistas imitam tortura ao redor do pelourinho em Mariana (Foto: Instagram)
Belo Horizonte – A Prefeitura de Mariana, uma cidade histórica em Minas Gerais, se pronunciou a respeito de vídeos que circulam mostrando turistas imitando torturas de escravos no antigo pelourinho do município. A administração pública destacou que o local não é um "elemento de uso recreativo ou cenográfico", mas sim "um marco de memória que demanda respeito, compreensão histórica e preservação".
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As imagens dos turistas geraram grande repercussão e críticas tanto de autoridades quanto de moradores locais.
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No vídeo, o grupo está na Praça Minas Gerais, um ponto histórico, ao lado do pelourinho — uma coluna de pedra usada no passado para punir publicamente escravos. Em certo momento, uma mulher se segura nas argolas de ferro do monumento e grita "me bate", enquanto outros simulam cenas semelhantes e riem.
“A Prefeitura de Mariana informa que o incidente já é conhecido pelo prefeito Juliano Duarte e pelo secretário de Patrimônio Cultural e Turismo, Eduardo Batista, e está recebendo a devida atenção institucional”, afirma a nota oficial.
O vídeo teria sido gravado por uma moradora na última segunda-feira (20/4). Segundo ela, os turistas faziam referências diretas à escravidão, usando frases como “agora me bate” e “vai lá, agora é a sua vez de ser escravizada”, em tom de brincadeira.
“O pelourinho na Praça Minas Gerais faz parte de um dos mais significativos conjuntos urbanos do período colonial brasileiro e possui um profundo significado histórico. É um símbolo do poder estatal da época, associado a práticas de punição pública e violência institucional, especialmente durante a escravidão”, explica a nota da prefeitura.
O texto continua: “Por isso, não deve ser usado de forma recreativa ou cenográfica, mas sim como um marco de memória que exige respeito, compreensão histórica e preservação”.
AÇÕES PENSADAS PARA EVITAR QUE SE REPITA
A Prefeitura de Mariana também informou que está buscando medidas para melhorar a comunicação pública no local.
“A Prefeitura de Mariana reafirma seu compromisso com a preservação do patrimônio cultural, a proteção da memória coletiva e a promoção de um turismo responsável que reconheça e respeite a complexidade histórica dos espaços que formam a identidade do município”.
MONUMENTO HISTÓRICO E MEMÓRIA DA ESCRAVIDÃO
O pelourinho de Mariana, situado entre as igrejas de São Francisco de Assis e Nossa Senhora do Carmo, é um marco do período colonial brasileiro. A estrutura original foi erguida por volta de 1750, representando o poder da Coroa Portuguesa e sendo usada para castigos públicos. A versão atual na praça é uma réplica instalada em 1970.
A cena capturada no vídeo gerou indignação por ter ocorrido em um local que simboliza a memória da escravidão e das violências sofridas pela população negra no Brasil.
REAÇÕES E CRÍTICAS
O caso foi divulgado nas redes sociais pelo vereador Pedro Sousa, que considerou a atitude desrespeitosa e ofensiva à história da cidade. Em sua publicação, ele afirmou que situações semelhantes já ocorreram em Mariana e criticou o uso do espaço histórico como “cenário de encenação”.
Para o parlamentar, a prática demonstra falta de consciência histórica e reforça estereótipos ligados à escravidão, além de desrespeitar a memória do povo negro que ajudou a construir a cidade.
Seguidores expressaram sua indignação na publicação, afirmando que esse tipo de encenação de “mau gosto” e “revoltante” acontece frequentemente no pelourinho de Mariana.
“Esse desrespeito acontece com MUITA frequência lá. Ai depois o turista sai falando que “Ouro Preto e Mariana tem a energia pesada”. disse um dos seguidores. “Pior de tudo que isso não é novo, sempre fizeram isso! Absurdo total!”, relatou outro seguidor. “Os turistas precisam aprender a ir às cidades e a respeitar. Fazem o caos por onde passam, se acham donos de tudo e no direito de faltar com o respeito às pessoas e à história do lugar”.


