
Robson José dos Santos em solenidade no Tribunal de Justiça de Rondônia (Foto: Instagram)
A história de Robson José dos Santos, um ex-vendedor de pipoca, foi outrora vista como um exemplo de superação. Criado na periferia de Recife, ele começou a trabalhar ainda jovem, vendendo pipoca e picolé nas ruas para ajudar a família. Estudava à noite, trabalhou como gari, enfrentou dificuldades financeiras e até passou fome durante a juventude.
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Anos mais tarde, após prestar mais de 70 concursos públicos e enfrentar várias reprovações, Robson conseguiu ser aprovado para a magistratura em Rondônia.
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Sua trajetória de persistência o transformou em um símbolo de ascensão social através do serviço público.
Entretanto, a mesma história que inspirava muitos teve um desfecho diferente. Em fevereiro deste ano, o Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) decidiu não vitaliciar Robson, determinando sua demissão e encerrando sua carreira como juiz. A decisão foi baseada em um processo administrativo disciplinar que identificou comportamentos inadequados para a função.
Robson estava em período de estágio probatório, fase em que são avaliados tanto o desempenho técnico quanto a conduta antes de se obter estabilidade no cargo. O tribunal concluiu que ele não estava apto para continuar na magistratura.
AMBIENTE DE TRABALHO
Dentre os episódios analisados, um se destacou: ele teria feito um comentário depreciativo ao ser recepcionado por servidores com um café da manhã. A investigação descreveu um ambiente de trabalho marcado por atitudes consideradas grosseiras e desrespeitosas com servidores, assessores e outros profissionais da Justiça, além de desrespeito a rotinas básicas do Judiciário.
FORA DO FÓRUM
As acusações não se restringiram ao ambiente interno. O processo também apontou comportamentos inadequados fora do fórum, especialmente em relação ao sistema prisional. Relatos indicam que ele mantinha proximidade com detentos e fazia visitas a unidades prisionais fora dos padrões institucionais. Em um caso, ele teria permitido que um preso usasse seu celular para ligações externas.
A investigação também apontou que ele teria levado crianças para visitar um detento fora do horário permitido e autorizado a presença de pessoas sem vínculo com o Judiciário em audiências sigilosas, como as de violência doméstica. Outro ponto crítico foi a acusação de criticar decisões de colegas diretamente a presos e interferir na administração de unidades prisionais.
PADRÃO DE CONDUTA
Foram identificadas possíveis irregularidades administrativas, como pedidos de diárias sem justificativa adequada e descumprimento de carga horária. Para o TJRO, os fatos apontaram um padrão de comportamento não compatível com a magistratura. A corte destacou que o processo respeitou todas as garantias constitucionais, incluindo o direito ao contraditório e à ampla defesa.


