
Espirros e nariz entupido: entenda rinite e sinusite (Foto: Instagram)
Crises de espirros, nariz congestionado, coriza e dor facial são comuns em tempos de clima seco, frio ou mudanças bruscas de temperatura. Embora muitos utilizem os termos rinite e sinusite como se fossem sinônimos, essas condições são distintas e merecem atenção quando ocorrem frequentemente.
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Rinite é a inflamação da mucosa nasal, a parte interna do nariz. Pode ser alérgica, quando o corpo reage excessivamente a fatores como poeira, ácaros, mofo, pelos de animais e pólen, ou ter outras causas, como irritantes ambientais e infecções.
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A condição também pode se tornar crônica, com sintomas persistentes ou recorrentes, especialmente quando a pessoa permanece exposta aos gatilhos. Os sinais mais comuns incluem espirros em sequência, coceira no nariz, coriza clara e obstrução nasal.
Sinusite, também conhecida como rinossinusite, é a inflamação dos seios da face, cavidades ao redor do nariz, testa e maçãs do rosto. Além de nariz entupido e secreção, pode haver dor ou pressão facial, sensação de peso na cabeça, secreção espessa, redução do olfato e mal-estar.
O otorrinolaringologista Miguel Tepedino, da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia Cérvico-Facial (ABORL-CCF), explica que o agravamento do quadro está relacionado ao funcionamento do nariz.
“O nariz age como um filtro de ar, mas necessita de umidade e temperatura adequadas para funcionar bem. Quando o ar está frio e seco, a mucosa fica ressecada, os cílios se movem mais lentamente e a secreção se torna mais espessa, reduzindo a capacidade de eliminar partículas e vírus”, diz.
A sinusite requer avaliação se os sintomas não melhorarem após uma semana, houver dor facial intensa, principalmente de um lado, febre alta, secreção nasal espessa e persistente ou piora após uma melhora inicial. Sintomas por mais de 10 dias podem indicar infecção bacteriana.
UMA PODE AGRAVAR A OUTRA?
Embora rinite e sinusite sejam diferentes, podem estar interligadas. Quando a rinite não está controlada, a inflamação nasal pode dificultar a drenagem dos seios da face, aumentando o acúmulo de secreção e o risco de inflamação ou infecção.
Isso não significa que toda crise de rinite evoluirá para sinusite. A progressão depende da intensidade da inflamação, da exposição aos gatilhos, da presença de vírus respiratórios e da resposta individual.
Para a médica Fátima Rodrigues Fernandes, presidente da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI), a rinite não deve ser vista como um incômodo passageiro quando interfere na rotina.
“Se os sintomas ocorrem mais de três dias por semana, prejudicam o sono, o desempenho no trabalho ou a qualidade de vida, é um sinal de que a rinite não está controlada e precisa de acompanhamento especializado”, afirma.
COMO EVITAR CRISES
A prevenção começa com o controle dos gatilhos. Poeira, ácaros, mofo, poluição, variações bruscas de temperatura, odores fortes, produtos de limpeza perfumados e infecções virais são fatores comuns.
Em casa, recomenda-se manter os ambientes ventilados, evitar acúmulo de poeira, lavar roupas de cama regularmente, usar capas antiácaro em colchões e travesseiros, reduzir objetos que acumulam poeira, evitar excesso de pelúcia e eliminar focos de mofo.
A lavagem nasal com soro fisiológico pode ser benéfica tanto para rinite quanto para sinusite.
“A lavagem nasal é uma medida simples, mas eficaz. Ela remove secreções, partículas inaladas e mediadores inflamatórios. Pode ser feita diariamente, especialmente em períodos de maior exposição ou sintomas. Em pacientes com rinite, muitas vezes faz parte da rotina”, explica o otorrinolaringologista Miguel Tepedino.
Outro cuidado importante é não abusar de descongestionantes nasais. Embora proporcionem alívio rápido, não tratam a inflamação. Após poucos dias de uso contínuo, geralmente entre três e cinco dias, podem causar efeito rebote, com o nariz voltando a entupir de forma mais intensa.
Antialérgicos, corticoides nasais e imunoterapia podem ser indicados em alguns casos, mas o tratamento deve ser orientado por especialista. Quando as crises se tornam frequentes, a melhor estratégia é investigar a causa, controlar os gatilhos e evitar que o problema entre em um ciclo de inflamação recorrente.


