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Deputada Andréa Werner cobra explicações sobre fala de secretário de esportes de São Caetano do Sul

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Secretário de Esporte de São Caetano diz não conseguir lidar com PCDs (Foto: Instagram)

A deputada estadual Andréa Werner (PSB) enviou um ofício à Prefeitura de São Caetano do Sul nesta quarta-feira (6/5), solicitando esclarecimentos sobre uma declaração do secretário de Esporte do município, Mauro Roberto Chekin. Durante uma audiência pública na Câmara Municipal, Chekin afirmou que "não consegue" lidar com pessoas com deficiência (PCDs).

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No documento, a deputada, que é mãe de um adolescente autista e também diagnosticada com autismo, destacou que o secretário usou termos pejorativos e patologizantes, desconsiderando as diretrizes da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (LBI). A lei define a deficiência como resultado da interação entre impedimentos e barreiras, e não como um problema intrínseco ao indivíduo.

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A deputada Andréa Werner também apontou que o secretário mostrou resistência ao cumprimento da lei, ao afirmar que não pode "obrigar" servidores a cumprir o dever de inclusão, o que configura omissão administrativa. Ela questiona quais medidas serão tomadas e solicita informações sobre o orçamento para o paradesporto na Secretaria Municipal de Esporte, Lazer e Juventude (SELJ) em 2026.

Na audiência do dia 30 de abril, Mauro Roberto Chekin mencionou que foi convidado para os Jogos Paralímpicos pelo Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), mas recusou, dizendo: "Eu falei: não vou, eu não consigo. Eles, inclusive, se tratam de maneiras muito afetivas e tudo, mas eu não consigo".

A vereadora Bruna Biondi (PSol) respondeu que "inclusão tem que ser garantida". Contudo, Chekin continuou de forma discriminatória: "Inclusão é um dever distante. É um dever do Estado, mas não é um dever meu, pessoa física."

A reunião focou na prestação de contas da SELJ, onde o secretário foi questionado sobre práticas de inclusão e capacitação de profissionais para atender pessoas com deficiência na rede municipal de esportes.

Chekin comentou: "Nós temos um problema muito grande com autista e qualquer ‘deficiente’. Porque, olha, veio uma mãe que quis inclusão para a filha dela na aula de natação. Tá bom, vamos lá, vamos incluir e tal. A menina usa fralda. Como é que eu posso pôr a menina na água de fralda?", questionou Chekin.

A vereadora Bruna Biondi rebateu: "Acho que da mesma maneira que nenéns fazem aulas de natação, secretário."

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Chekin sugeriu: "Então, nós temos que orientar a mãe a comprar essa fralda de natação, porque a menina não tinha. E essa mesma menina, quando começou a aula, começou o barulho, ela saiu correndo da piscina, se encostou num canto e tapou os dois ouvidinhos. Hoje, com o problema da inclusão social, que eu acho importante, acho que tem que ser feita, mas nós temos que tomar muito cuidado com os esportes."

Em outro ponto, o secretário referiu-se a pessoas sem deficiência como "normais". "Eu não posso chegar a obrigar um profissional a dizer: você vai trabalhar lá com ‘deficientes’. Se falasse isso para mim, eu estaria fora da prefeitura já lá atrás", afirmou Chekin.

CAPACITISMO
O preconceito contra pessoas com deficiência é conhecido como capacitismo e deve ser punido, conforme a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. A pena para quem pratica ou incita a discriminação é de 1 a 3 anos de prisão e multa. Se ocorrer por meios de comunicação social ou redes sociais, a pena aumenta para 2 a 5 anos de prisão e multa.

MANIFESTAÇÃO DA PREFEITURA
Mauro Roberto Chekin não respondeu diretamente ao contato. Em nota, a Prefeitura de São Caetano do Sul afirmou ter um compromisso histórico com políticas públicas de inclusão e promoção dos direitos das pessoas com deficiência, tratadas como prioridade em áreas como saúde, educação, esporte e assistência social.

A cidade destacou investimentos contínuos em estruturas, programas e parcerias para inclusão. "A administração municipal entende que a pauta da inclusão exige evolução constante, inclusive na superação de conceitos historicamente arraigados na sociedade. Os avanços conquistados nos últimos anos são inegáveis, mas o desafio continua permanente e coletivo. Neste processo, erros, apesar de imperdoáveis, são compreensíveis, dada a complexidade e importância desta pauta", concluiu a nota.

"A prefeitura seguirá investindo fortemente em ações, programas e políticas públicas que promovam respeito, inclusão, acolhimento e garantia de direitos às pessoas com deficiência, fortalecendo uma cidade cada vez mais acessível e inclusiva para todos", finalizou o comunicado.

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