
Joaninha em ação no controle biológico de pragas (Foto: Instagram)
As joaninhas têm se tornado importantes aliadas no controle biológico de pragas em diversos ambientes, desde a agricultura até hortas urbanas. Esses insetos são predadores naturais de organismos que prejudicam as plantas, como pulgões, cochonilhas e moscas-brancas, e já são populares nas redes sociais como uma solução sustentável.
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Conforme o biólogo Pedro Henrique Barros Togni, professor da Universidade de Brasília (UnB), o sucesso das joaninhas está no comportamento das espécies. “Elas são predadoras durante todo o ciclo de vida e extremamente vorazes, consumindo uma grande quantidade de pragas em pouco tempo”, explica.
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Além disso, as joaninhas não agem sozinhas. A diversidade de espécies aumenta a eficácia do controle. Algumas são generalistas, consumindo diversos tipos de presas, enquanto outras são específicas, atuando sobre pragas determinadas.
Em Belo Horizonte, essa estratégia já é política pública. A biofábrica da Secretaria Municipal de Meio Ambiente produz joaninhas em ambiente controlado para distribuição gratuita à população.
A bióloga Nathalia Abreu, responsável técnica pela biofábrica, explica que o processo é acompanhado desde o ovo até a fase adulta. “O manejo é feito por técnicos especializados, garantindo qualidade e segurança na produção dos insetos”, afirma.
O método adotado é o controle biológico inundativo, com liberação dos insetos em áreas infestadas. O resultado é a redução significativa de pragas sem o uso de produtos químicos, além da recuperação de hortas urbanas e fortalecimento da segurança alimentar.
Apesar dos benefícios, o uso de joaninhas requer critérios técnicos. Um erro comum é adquirir insetos de origem desconhecida, o que pode trazer riscos ambientais.
Segundo Togni, a comercialização sem autorização pode envolver espécies exóticas invasoras. “A introdução dessas espécies pode causar desequilíbrio ecológico, competindo com as joaninhas nativas e reduzindo a biodiversidade”, alerta.
A própria Secretaria de Meio Ambiente reforça que a produção deve seguir regulamentação federal, com autorização de órgãos como o Ibama e o Ministério da Agricultura.
Um desafio importante está no transporte. Embora empresas usem transportadoras para enviar joaninhas vivas, nem todas aceitam essa carga. O envio geralmente exige embalagens ventiladas e cuidados para evitar a morte dos insetos durante o transporte.
Especialistas também alertam para riscos ambientais da soltura inadequada de espécies exóticas. O uso de joaninhas fora do ambiente correto pode causar desequilíbrio ecológico e afetar espécies nativas.
Outro ponto crucial é que o sucesso do controle depende do ambiente. A presença de formigas, o uso prévio de inseticidas e a falta de alimento podem fazer com que as joaninhas abandonem o local.
Nathalia também destaca a necessidade de manejo adequado. “A soltura deve ser feita preferencialmente no fim da tarde, evitando estresse térmico e aumentando as chances de adaptação”, explica. Embora eficazes, as joaninhas não são uma solução imediata. Diferente dos produtos químicos, seu efeito pode demorar mais, mas tende a ser mais duradouro e sustentável.
O avanço do uso de joaninhas demonstra que alternativas naturais podem ser eficientes, desde que aplicadas com responsabilidade e informação.


