
Quando o silêncio sexual revela uma crise (Foto: Instagram)
Embora todo casal possa enfrentar períodos de cansaço, rotina intensa e pouco desejo, a falta de intimidade prolongada e não abordada pode ser um sinal de que algo na relação precisa ser olhado com cuidado. Conforme explica a terapeuta familiar Aline Cantarelli, a ausência de sexo não é necessariamente a causa de uma crise, mas sim um indicativo de que o casal já vinha se afastando anteriormente.
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O tema ganha relevância em um cenário onde o Brasil registrou 428.301 divórcios em 2024, segundo as Estatísticas do Registro Civil do IBGE. Para a especialista, o sexo serve como um termômetro que reflete o estado do diálogo, parceria, cuidado e conexão entre os parceiros.
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A terapeuta Aline Cantarelli afirma que a capacidade de amar é o aspecto mais importante de uma relação, mas o sexo ajuda a perceber o rumo que as coisas estão tomando. Quando o assunto vira silêncio, a falta de relações se torna apenas mais um sintoma.
“Quando um casal está sem sexo, já está em crise. Isso não significa que o casamento está fadado ao divórcio. Significa que, se estão sem sexo há muito tempo, já estão em crise há muito tempo e muitas vezes nem perceberam”, ela afirma.
A terapeuta destaca que a intimidade não começa na cama, mas é construída através de pequenas ações diárias, como abraços, mensagens e demonstrações de cuidado. “Construir intimidade dá trabalho. Não é espontâneo que surge um beijo ou um abraço. Às vezes, é preciso esforço intencional”, diz.
Usar a “greve de sexo” ou o afastamento como punição para mágoas apenas gera mais imaturidade e infelicidade. “Um diálogo direto, com respeito, pode funcionar muito melhor do que greve de sexo ou uma discussão”, orienta Aline.
O caminho para a reconstrução da vida a dois exige conversas francas e comportamentos intencionais para romper o hábito de se acomodar em um casamento frio ou partir para o término.
“A terceira via é consertar o que está ruim, amadurecer, se autodescobrir e reconstruir a relação de uma maneira verdadeira”, explica a terapeuta.
Para iniciar essa mudança, a orientação da profissional é adotar uma comunicação direta, afetiva e respeitosa, sem cobranças ou atitudes defensivas, utilizando frases como “sinto que estamos distantes” para abrir o diálogo. “Você precisa ir atrás do que quer e falar de um modo respeitoso, cativante e afetivo. Isso faz diferença na construção da intimidade do casal”, conclui.


