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Ivan Pereira de Souza: Inocente preso por 78 dias na Papuda por erro da Justiça

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Homem retoma liberdade após prisão injusta de 78 dias (Foto: Instagram)

Ivan Pereira de Souza, de 45 anos, passou quase três meses vivendo um pesadelo ao ser preso injustamente no Complexo Penitenciário da Papuda. O vendedor ambulante foi detido por 78 dias até conseguir comprovar sua inocência. Na última quinta-feira (28/5), a Justiça finalmente reconheceu o erro e determinou sua libertação. O caso foi inicialmente denunciado pelo Metrópoles.

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O calvário de Ivan começou quando seus dados pessoais foram usados por seu cunhado, que cometeu crimes no Pará. Devido a essa fraude, Ivan foi condenado erroneamente a 17 anos de prisão por crimes que não cometeu. O verdadeiro culpado, que já faleceu, era seu ex-cunhado.

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No dia 7 de março, Ivan e sua esposa estavam na Rodoviária Interestadual de Brasília, prontos para viajar para São Paulo, quando ele foi abordado pela polícia. "Vi um homem de camisa branca me observando. Em seguida, uma viatura da Polícia Militar chegou, os policiais desceram, sacaram suas armas e me mandaram ficar quieto, dizendo que havia um mandado de prisão contra mim", relembra Ivan.

Os policiais executaram um mandado de prisão expedido pelo Tribunal de Justiça do Pará, que condenava Ivan por furto, receptação e roubo. Na delegacia, Ivan descobriu que o verdadeiro autor dos crimes era seu ex-cunhado, Kleber Luciano Rodrigues da Silva, que usou seus dados para cometer os delitos.

Apesar de alegar inocência, Ivan foi transferido para a Papuda. Durante a audiência de custódia, ouviu da juíza que seria enviado para um presídio em Belém (PA). "Fiquei desesperado, pois minha cidade natal é muito violenta. Tive medo de morrer lá. Pelo tempo que demorou para eu ser solto, temi ficar preso por mais de um ano", desabafou.

Durante os quase 80 dias em que esteve preso, Ivan enfrentou medo, humilhação e sofrimento psicológico, agravados por sua deficiência auditiva. "Tinha medo de não ouvir quando chamassem meu nome. Pedia ajuda aos outros presos", contou Ivan, que também revelou ter pensado em tirar a própria vida.

Nos dois primeiros meses, Ivan só podia receber visitas do advogado e não tinha permissão para ver a família ou receber itens básicos. Ele relatou ter sofrido agressões dentro do presídio. Para suportar a prisão, criou uma rotina de exercícios físicos na cela.

A liberdade veio na última quinta-feira (28/5), quando a Justiça do Pará reconheceu a ilegalidade da prisão. Ivan recebeu a notícia do alvará de soltura dentro da cela e descreveu o momento como "a maior alegria da minha vida". Ao chegar em casa, em Planaltina de Goiás, foi recebido por sua família.

Apesar de estar livre, Ivan ainda lida com os traumas da prisão. "Isso vai ficar por muito tempo na minha cabeça. Dinheiro nenhum paga o que passei lá dentro", afirmou. Ele planeja retomar sua rotina de trabalho e buscar reparação judicial pela prisão injusta.

Na última segunda-feira (25/5), o Tribunal de Justiça do Pará reconheceu o erro e ordenou a soltura imediata de Ivan. O juiz Deomar Alexandre de Pinho Barroso destacou que havia provas de que Ivan era uma pessoa diferente da condenada no processo.

O juiz também reconheceu erros materiais em diligências anteriores, apontando diferenças físicas entre Ivan e o homem condenado no Pará.

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