
Rastos luminosos de drones cortam o céu noturno sobre uma cidade ucraniana durante os recentes ataques. (Foto: Instagram)
A usina nuclear de Zaporíjia, a maior da Europa e sob controle russo no sul da Ucrânia, foi alvo de ataques neste final de semana, atribuídos às forças ucranianas. Na Rússia, várias regiões foram atingidas por drones ucranianos na madrugada deste domingo (31/5).
++ Sistema de IA revela como gente comum está criando renda passiva no automático
“Um drone acertou um prédio que abriga uma turbina na usina hoje, supostamente abrindo um buraco em sua parede”, informou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), sediada em Viena, na noite de sábado (30/5).
++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece
“Não deve haver ataques de qualquer tipo originados ou direcionados à usina”, acrescentou a agência, citando o diretor-geral Rafael Grossi. “Atacar instalações nucleares é brincar com fogo”, alertou. Na tarde de domingo, autoridades de Zaporíjia relataram outro bombardeio ucraniano que atingiu a oficina de transporte, alvo de ataques frequentes nos últimos meses. Seis ônibus e dois caminhões foram destruídos, mas a usina continua “operando normalmente” e sua segurança está “totalmente garantida”.
A usina de Zaporíjia está sob ocupação russa desde março de 2022. As instalações estão na margem sul do rio Dnipro, que serve como linha de frente natural entre as partes em conflito.
TROCA DE ACUSAÇÕES
Em comunicado divulgado pela imprensa russa, a estatal Rosatom acusou os militares ucranianos de um ataque deliberado. Segundo a empresa, o drone foi guiado por um cabo de fibra óptica, eliminando “a possibilidade de um ataque acidental”.
“Neste sábado, estivemos perto de um incidente que possivelmente afetaria até aqueles que vivem muito além das fronteiras da Rússia e da Ucrânia”, alertou o CEO da Rosatom, Alexei Likhachev.
O Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia rejeitou as acusações, afirmando que “não têm lógica”. “Não entendemos por que a Ucrânia atacaria sua própria usina nuclear em seu território, que busca recuperar sob controle soberano”, declarou o ministério. “Consideramos essas declarações mais uma campanha de desinformação do Estado ocupante”, acrescentou.
A Rosatom afirmou que o ataque danificou a parede da sala de turbinas, mas não afetou os equipamentos essenciais. O Ministério da Defesa russo relatou que o dano ocorreu “a 10 metros do prédio do reator”.
“CHUVA” DE DRONES
Simultaneamente, drones ucranianos atacaram alvos industriais e de energia em várias regiões russas na madrugada de sábado para domingo, informaram autoridades locais. A Rússia lançou 229 drones contra a Ucrânia, segundo a Força Aérea Ucraniana.
As defesas aéreas neutralizaram 212 dessas aeronaves. Os militares ucranianos registraram o impacto de 14 drones de ataque em 11 locais, além da queda de destroços em cinco zonas. “O ataque continua e vários drones inimigos estão no espaço aéreo ucraniano”, declarou o exército.
Ao menos cinco pessoas morreram e 37 ficaram feridas em ataques russos na Ucrânia no sábado, segundo autoridades ucranianas. Na região de Dnipropetrovsk, foram 12 feridos, informou o governador Oleksandr Hanzha.
Na Rússia, em Saratov, às margens do rio Volga, o governador Roman Busargin afirmou no Telegram que a “infraestrutura civil” foi danificada. A região tem sido alvo frequente de ataques ucranianos.
Em Kirov, a nordeste de Moscou, o governador Alexander Sokolov relatou que drones atingiram um local no distrito de Urzhumsky. Os governadores das regiões fronteiriças de Rostov, Voronezh e Belgorod também relataram ataques aéreos, com três civis feridos em Belgorod.
Drones ucranianos atingiram um navio-tanque no porto de Taganrog e um depósito de petróleo na cidade de Armavir, no sul da Rússia.
Os incêndios causados pelo ataque foram controlados e não houve relatos de vazamento de petróleo, informou o governador de Rostov, Yuri Slyusar, pelo Telegram. Duas pessoas ficaram feridas, acrescentou.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, confirmou a ação contra as instalações petrolíferas de Armavir, localizadas a cerca de 500 quilômetros da fronteira ucraniana.
“Estamos legitimamente devolvendo a guerra ao seu ponto de partida. A Rússia poderia ter encerrado sua agressão há muito tempo, mas optou por prolongá-la”, declarou ele na rede social X.


