Uso excessivo do celular pode afetar memória e aprendizagem, dizem especialistas

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Uso multitarefa do celular intensifica a “atrofia da atenção” (Foto: Instagram)

Já se pegou assistindo TV, estudando ou trabalhando enquanto mexe no celular simultaneamente? Embora pareça uma prática inofensiva, isso fragmenta a atenção e, ao longo do tempo, pode tornar difícil manter a concentração por longos períodos.

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Embora não seja um termo oficial, essa combinação de celular com outras atividades pode ser considerada uma "atrofia da atenção". Especialistas consultados pelo Metrópoles afirmam que essa dispersão de foco pode afetar a memória de trabalho, compreensão de textos, aprendizagem, planejamento e controle inibitório.

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“O uso constante do celular pode levar a pessoa a ler mais e entender menos, estudar por mais tempo sem reter tudo, e trabalhar com a sensação de esforço contínuo, mas com menor profundidade de produção. As notificações e redes sociais ativam sistemas de recompensa, encorajando checagens impulsivas e dificultando a concentração em tarefas menos estimulantes”, explica o neurocientista Leandro Oliveira, da Universidade Católica de Brasília (UCB).

Além de reduzir a capacidade cognitiva, a troca constante de foco pode causar outros sintomas. “Essa alternância contínua entre estímulos exige esforço cognitivo. O resultado pode ser exaustão, irritabilidade e menor capacidade de decisão”, afirma a psiquiatra Renata Verna, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília.

O cérebro humano é altamente eficiente e pode organizar várias informações, mas possui limitações. Em atividades simples, como caminhar e conversar, ele consegue realizar múltiplas tarefas. No entanto, tarefas mais complexas exigem concentração total para serem bem executadas.

“Responder mensagens enquanto estuda, trabalha ou dirige não significa realizar duas tarefas complexas com a mesma qualidade — trata-se de alternar rapidamente entre elas. Isso tem um custo: aumenta o tempo para concluir a tarefa, eleva a chance de erro e reduz a profundidade do processamento mental”, avalia o neurocientista.

Renata explica que, do ponto de vista psiquiátrico, o celular não é o principal causador de falhas mentais, mas seu uso excessivo ou desregulado agrava os sintomas.

Treinar o cérebro para ser menos dependente de estímulos constantes, embora desafiador, é possível. Algumas medidas incluem silenciar notificações, deixar o celular fora do campo de visão em atividades importantes, reservar de 30 a 60 minutos para focar sem o uso do celular, definir horários para checar mensagens, e reduzir o uso de telas antes de dormir, ao acordar e durante refeições ou conversas. Práticas como leitura, escrita e exercícios físicos também ajudam a manter o foco.

“O celular não é inimigo da cognição: o problema está no uso fragmentado, automático e contínuo. Quando todas as pausas são ocupadas por telas, o cérebro perde oportunidades de descanso, integração e reflexão. Cuidar da atenção hoje é uma forma de saúde mental preventiva”, conclui Oliveira.

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