
Técnicos de enfermagem são acusados de homicídio intencional na UTI do Hospital Anchieta (Foto: Instagram)
O Ministério Público do Distrito Federal (MPDFT) afirma categoricamente que os três técnicos de enfermagem acusados de assassinato na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta são diretamente responsáveis pelas mortes. Segundo o promotor de Justiça Bernardo de Urbano Resende, o trio agiu com a intenção de matar.
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A declaração foi feita após o segundo dia de julgamento de Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28 anos, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. Resende afirma que Amanda e Marcela tentam incriminar Marcos para evitar penas severas.
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“Em 27 anos de experiência no júri, estou acostumado a ver pessoas tentando culpar os outros, e é essa a estratégia adotada pelas técnicas de enfermagem neste caso. A defesa quer que Marcos seja o único a responder pelos crimes, enquanto as outras duas técnicas sejam liberadas”, afirmou o promotor.
Resende concluiu que o Ministério Público solicitará que o caso vá a júri. “Após a juntada de toda a documentação que a defesa considera necessária, o processo será encaminhado ao Ministério Público para as alegações finais, e já adianto: vamos pedir que eles sejam levados a júri”, declarou.
“Há provas mais que suficientes para que sejam condenados”, pontuou Resende.
Entenda o caso
Em 11 de janeiro, a Polícia Civil do DF (PCDF) iniciou a Operação Anúbis. Na ocasião, dois investigados foram presos temporariamente, e mandados de busca e apreensão foram cumpridos. Naquela época, o caso ainda não era público. A operação foi divulgada em 19 de janeiro, quando a PCDF confirmou a prisão de três técnicos de enfermagem suspeitos de envolvimento na morte de pelo menos três pacientes do Hospital Anchieta. O hospital denunciou o caso à polícia após notar semelhanças nos óbitos.
Descobriu-se que Amanda Rodrigues de Sousa, Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo e Marcela Camilly Alves da Silva teriam aplicado doses letais de medicamentos, provocando paradas cardíacas em João Clemente Pereira, 63 anos; Marcos Moreira, 33 anos; e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos. Segundo as investigações, Marcos Vinícius aplicava as medicações enquanto Amanda e Marcela davam cobertura.
QUEM ERAM AS VÍTIMAS
As vítimas na UTI do Hospital Anchieta foram João Clemente Pereira, 63 anos, Marcos Moreira, 33 anos, e Miranilde Pereira da Silva, 75 anos.
Marcos Moreira, de 33 anos, era residente de Brazlândia (DF) e trabalhava nos Correios. Ele deixou uma filha de 5 anos. Marcos foi internado na UTI com dores abdominais e faleceu em 1º de dezembro de 2025. Seu velório ocorreu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.
Outra vítima foi João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb. De acordo com a família, ele reclamava de dores de cabeça e foi diagnosticado com um coágulo no crânio. Após cirurgia, apresentou complicações pulmonares, mas melhorou. Em 18 de novembro, sofreu quatro paradas cardíacas e faleceu. João Clemente se aposentaria em dois anos e deixou esposa, dois filhos e um neto.
A terceira vítima, a professora Miranilde Pereira da Silva, 75 anos, teria recebido uma injeção de desinfetante, segundo a investigação. Os técnicos de enfermagem estão presos desde 12 de janeiro e aguardam julgamento.



