Advogado da AtlasIntel no TSE: Questão do PL é Política, Não Metodológica

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Gualter Rafael Maciel Bezerra em sustentação oral no TSE (Foto: Instagram)

O advogado da AtlasIntel, Gualter Rafael Maciel Bezerra, afirmou no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que a discordância do Partido Liberal sobre a pesquisa que indicou queda de Flávio Bolsonaro (PL) nas intenções de voto é de natureza "política". A pesquisa da AtlasIntel foi divulgada após a revelação de conversas entre Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, sobre o financiamento do filme Dark Horse, que retratará a trajetória do ex-presidente.

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O plenário do TSE julga, na noite desta terça-feira (9/6), o referendo da decisão do ministro Kassio Nunes Marques que suspendeu a divulgação da pesquisa por "indício de manipulação".

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Durante sua sustentação oral, Gualter Bezerra destacou que "a representação não contesta a metodologia, mas se refere a um fato político, público e notório, que é a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro e o Banco Master".

Para o defensor da AtlasIntel, o PL "não apresentou qualquer evidência de contaminação cognitiva. Foi apenas uma suposição com base na leitura objetiva de que o candidato seria prejudicado", afirmou durante sua sustentação oral.

A advogada do Partido Liberal, Maria Claudia Bucchianeri, argumentou que a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg apresenta falhas metodológicas, uso de técnicas de indução de respostas e omissão de um vídeo que teria sido exibido aos entrevistados.

"E eu nem precisaria entrar nos outros problemas, que também são graves e se referem à técnica de framing e indução. A pergunta sobre qual é a sua visão, positiva ou negativa, de diversas autoridades, não apenas Flávio Bolsonaro, Lula, Hugo Motta, Davi Alcolumbre, é apenas a de número 22", afirmou em plenário.

A advogada continuou: "Depois de o candidato, o pré-candidato do PL, ter sido submetido a todo tipo de observação envolvendo o escândalo [Banco Master], onde ele nem sequer é investigado, se ele deveria ou não manter sua candidatura, isso nunca foi colocado em questão. E só no item 22 é perguntado: qual é a sua visão sobre ele, positiva ou negativa? Nenhum dos outros candidatos cujos nomes estão expostos ali foi submetido a esse framing."

JULGAMENTO
O referendo começou com o voto do ministro Nunes Marques pela manutenção da suspensão da pesquisa. Em seguida, a ministra Estela Aranha pediu vista e suspendeu o julgamento.

Ao conceder a liminar, Kassio atendeu a pedido do Partido Liberal (PL) e apontou indícios de comprometimento da metodologia adotada pela AtlasIntel.

Segundo o ministro, há elementos que sugerem possível indução dos entrevistados, entre eles a inclusão de conteúdos relacionados a investigações e o uso de perguntas com carga valorativa negativa.

"Os elementos trazidos aos autos após manifestação da representada reforçam, em juízo de cognição sumária, os indícios relevantes de comprometimento da metodologia da pesquisa impugnada", afirmou.
Para Kassio, a controvérsia não se limita a divergências metodológicas, mas envolve a possibilidade de utilização do questionário como mecanismo de indução dos entrevistados.

O ministro ainda destacou que, ao analisar outras 27 pesquisas registradas pela AtlasIntel no TSE, não encontrou questionários com estrutura semelhante, nem a utilização de áudios, como ocorreu no levantamento contestado.

PESQUISA
Na pesquisa AtlasIntel divulgada em abril, Lula e Flávio Bolsonaro apareciam tecnicamente empatados em um cenário de segundo turno. O senador tinha 47,8% das intenções de voto, enquanto o presidente registrava 47,5%.

Já no levantamento divulgado em 19 de maio, Lula apareceu com 48,9%, ante 41,8% de Flávio. O resultado indicou queda de seis pontos percentuais para o senador entre uma pesquisa e outra.

Ao acionar o TSE, o Partido Liberal alegou divulgação de pesquisa fraudulenta, questionou a metodologia utilizada e sustentou que o questionário teria sido estruturado para induzir percepção negativa sobre Flávio Bolsonaro.

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