
Fenômeno do ‘oxigênio escuro’ é associado a nódulos polimetálicos nas profundezas do Pacífico. (Foto: Instagram)
Em uma região remota do oceano Pacífico, a cerca de 4 mil metros abaixo da superfície, cientistas identificaram um fenômeno surpreendente: a geração de oxigênio em completa ausência de luz. O chamado “oxigênio escuro” está sendo produzido por estruturas minerais conhecidas como nódulos polimetálicos, localizados na misteriosa Zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e a costa do México.
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Essa área abissal, que se estende por mais de 4,5 milhões de quilômetros quadrados, é coberta por nódulos do tamanho de batatas, formados ao longo de milhões de anos. Esses nódulos concentram metais como manganês, cobalto, níquel e cobre, essenciais para a fabricação de baterias e tecnologias sustentáveis. Inicialmente vistos apenas como recursos estratégicos, eles agora revelam um papel inédito na produção de oxigênio sem luz solar.
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A descoberta foi liderada pelo ecólogo Andrew Sweetman, que descreveu os nódulos como “baterias geológicas”. Desde 2013, sensores registravam níveis elevados de oxigênio na região, o que inicialmente foi atribuído a falhas nos equipamentos. Após anos de testes, confirmou-se que os nódulos geram pequenas cargas elétricas capazes de separar moléculas de água, produzindo oxigênio em um processo puramente químico, sem a presença de seres vivos ou luz.
Essa constatação levanta possibilidades intrigantes sobre a existência de vida em ambientes extremos fora da Terra. O mesmo processo pode ocorrer em oceanos subterrâneos de luas como Europa e Encélado, onde há indícios de atividade geotérmica e presença de minerais semelhantes.
No entanto, a descoberta também reacende o debate sobre a exploração dos fundos marinhos. Empresas de mineração pressionam por licenças para extrair os metais da região, enquanto cientistas pedem cautela. Vinte e cinco países já solicitaram uma moratória temporária à Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, até que se compreenda melhor o impacto ambiental dessas operações.
A pesquisadora Lisa Levin, do Instituto Scripps de Oceanografia, alertou que essa nova função ecológica — a geração de oxigênio nas profundezas — precisa ser levada em conta antes de qualquer atividade comercial. Para ela, o fundo do mar é uma fronteira científica comparável ao espaço sideral.
O “oxigênio escuro” mostra que, mesmo nos locais mais inóspitos do planeta, podem ocorrer processos fundamentais para a compreensão da vida, da energia e do equilíbrio ecológico global.

