
Café aumenta desempenho em exercícios de resistência, revela estudo da USP (Foto: Instagram)
Um estudo da Universidade de São Paulo (USP), conduzido pelo professor Ricardo Santos e pela nutricionista e pesquisadora Ana Clara Moreira, analisou o efeito do consumo de café no desempenho físico em atividades de resistência, com resultados que serão publicados na próxima edição do Journal of Applied Physiology. Os pesquisadores investigaram como diferentes doses de cafeína afetam a performance em exercícios de corrida e ciclismo, em ensaio controlado com voluntários adultos.
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Na pesquisa, 50 voluntários foram divididos em três grupos: placebo, 200 mg de cafeína (equivalente a aproximadamente duas xícaras de café coado) e 400 mg de cafeína (quatro xícaras). Cada dose foi ingerida 60 minutos antes de sessões de treino padronizadas em laboratório. O grupo que recebeu 200 mg registrou aumento médio de 12% na distância percorrida e no tempo de exaustão, enquanto o grupo de 400 mg apresentou melhora de 18% nos mesmos parâmetros. Já o grupo placebo manteve desempenho estável.
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Ricardo Santos explica que a cafeína age como antagonista dos receptores de adenosina no sistema nervoso central, reduzindo a sensação de fadiga e prolongando a capacidade de esforço. De acordo com o professor, a substância também promove maior liberação de cálcio nas fibras musculares, potencializando a contração e otimizando o metabolismo de lipídios durante atividades de longa duração. Esses mecanismos combinados resultam no ganho de rendimento observado nos voluntários.
Para Ana Clara Moreira, especializada em nutrição esportiva, é fundamental considerar a individualidade biológica. “Cada organismo apresenta resposta distinta à cafeína. Fatores como sensibilidade genética, hábitos de sono e grau de tolerância devem ser avaliados para evitar efeitos adversos, como tremores, ansiedade ou insônia”, afirma Ana Clara Moreira. A pesquisadora recomenda iniciar com doses baixas e monitorar reações antes de ajustar a quantidade.
O estudo da Universidade de São Paulo (USP) também comparou diferentes métodos de preparo do café — coado, expresso e instantâneo — e observou pequenas variações na concentração de cafeína, mas indicou que o principal determinante de performance é a dose total consumida. Além disso, os pesquisadores ressaltam que beber café em jejum ou após refeição leve pode influenciar a velocidade de absorção, interferindo no pico de concentração plasmática.
A pesquisa publicada no Journal of Applied Physiology destaca ainda a importância da hidratação adequada, já que a cafeína possui leve efeito diurético. Os autores recomendam equilíbrio hídrico antes, durante e após os treinos para compensar possíveis perdas de fluidos. O artigo também sugere que atletas de endurance, como corredores de maratona e ciclistas, podem se beneficiar dessa estratégia dentro de protocolos supervisionados.
Os resultados reforçam diretrizes já adotadas por diversas organizações esportivas, mas enfatizam a necessidade de acompanhamento profissional. Entre as recomendações finais, os especialistas alertam para a limitação de consumo diário — não exceder 400 mg de cafeína — e para a avaliação contínua de tolerância individual, garantindo benefícios no desempenho sem comprometer a saúde.

