
Fachada do Banco Master, alvo de inspeção do Banco Central (Foto: Instagram)
O Banco Central concluiu a fase de coleta de documentos e evidências no âmbito da inspeção relativa ao caso Master e pretende remeter todo o material ao relator dentro de duas semanas. A equipe de fiscalização realizou auditorias contábeis, vistorias de sistemas eletrônicos, análise de logs operacionais e entrevistas com profissionais envolvidos na gestão de ativos. Além de relatórios financeiros, também foram reunidos registros de comunicações internas, extratos de contas, notas fiscais e documentos de compliance que podem ajudar a elucidar eventuais inconsistências nos procedimentos adotados pela entidade investigada. A inspeção abrangeu ainda a aplicação de testes de aderência às normas prudenciais, com base em critérios de risco definidos pela coordenação de supervisão. Esse amplo conjunto de peças processuais forma a base do inquérito administrativo conduzido pelo Banco Central.
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Ao receber o dossiê completo, o relator terá a incumbência de examinar cada item, confrontar evidências e redigir um voto fundamentado. Em seguida, será aberto prazo regimental para manifestações: a instituição fiscalizada e outras partes interessadas poderão apresentar contrarrazões e documentos adicionais. Todo o trâmite segue sob sigilo, medida necessária para preservar a integridade das informações coletadas durante a investigação do caso Master e evitar influências externas indevidas. Ao término dessa etapa, o relator poderá convocar peritos independentes para esclarecimentos técnicos adicionais antes de submeter seu relatório à deliberação colegiada.
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O protocolo de inspeção do Banco Central inclui várias fases formais, iniciando-se com a notificação prévia da instituição alvo e definição do escopo de análise. No caso Master, as diligências abrangeram desde levantamento de balanços patrimoniais e demonstrações de resultados até a avaliação de controles internos e políticas de compliance. Equipes multidisciplinares, compostas por auditores contábeis e analistas de risco, conduziram testes de aderência a normativos vigentes, como resoluções que regem a gestão de recursos de terceiros. Concluídos os trabalhos de campo, toda a documentação foi organizada em processo eletrônico para subsidiar a decisão final do relator.
Historicamente, o Banco Central já enfrentou situações complexas em que a fase de inspeção levou meses para ser concluída, sobretudo quando envolvia a revisão de grandes carteiras de crédito ou fundos de investimento. Em algumas ocasiões, o resultado das apurações resultou em ajustes significativos em normas internas, enquanto em outras gerou aplicação de sanções administrativas, como multas e interdições. No caso Master, ainda não há cronograma definitivo para o julgamento, mas o cumprimento do prazo de duas semanas para envio do material indica avanço no processo. Após a entrega do dossiê, será preciso aguardar a valoração técnica e a votação pelas instâncias responsáveis.
O relatório de inspeção produzido pelo Banco Central deve contemplar elementos-chave, como a consistência dos saldos patrimoniais, a qualidade da carteira de crédito, o nível de liquidez e o grau de exposição a riscos de mercado. Essas informações são fundamentais para embasar eventuais medidas corretivas ou punitivas que o relator venha a propor. Adicionalmente, os resultados podem auxiliar em decisões de política monetária e na definição de estratégias de supervisão futura. O desfecho desse processo tem impacto direto na estabilidade do sistema financeiro, na confiança dos investidores e na proteção dos depositantes, reforçando a importância da atuação técnica e independente do Banco Central.

