
Cena de ‘Ruas da Glória’: Gabriel (Caio Macedo) e Adriano (Alejandro Claveaux) em encontro intenso nas ruas de São Paulo. (Foto: Instagram)
O cineasta carioca Felipe Sholl, conhecido por seu trabalho como roteirista em Manas (2024), mudou-se para São Paulo em 2010. Durante os anos seguintes, enfrentou o luto pela morte de seu pai, período em que se envolveu com drogas e garotos de programa. Essa fase de sua vida inspirou o filme Ruas da Glória, lançado nos cinemas na última quinta-feira (2/4).
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No filme, a rua Bento Freitas, em São Paulo, é transformada nas áreas cariocas da Glória, Lapa e Cinelândia. O jovem professor Gabriel, interpretado por Caio Macedo, muda-se para a cidade após a morte da avó. Lá, ele conhece Adriano, um garoto de programa uruguaio vivido por Alejandro Claveaux, e rapidamente se vê em um relacionamento intenso e obsessivo.
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Para Sholl, trazer para o cinema um momento tão pessoal foi o “roteiro mais difícil” de sua carreira. No filme, assim como na vida real, as relações e emoções do diretor foram intensificadas pelo uso de drogas. “Ruas da Glória é inspirado na minha vida”, revela Sholl. “Eu bebia e usava drogas. Morava no centro de São Paulo, onde esses garotos de programa trabalhavam, e convivi muito com eles.”
Adriano, o personagem uruguaio que se prostitui no Brasil, não foi baseado em uma única pessoa. Ele é uma combinação de várias paixões vividas por Sholl, descritas como “muito intensas e tóxicas”. “Naquela época, eu estava muito vulnerável e tive muitos Adrianos. Toda semana, era uma nova paixão intensa. As drogas faziam tudo parecer mais emocionante”, explica o diretor.
A dimensão pessoal do filme também tocou o protagonista Caio Macedo, que perdeu o pai durante os testes para o papel. A morte do pai ajudou na construção do personagem Gabriel, que lida com a perda da avó e a homofobia familiar. “Eu fui criado pela avó, então isso me aproximou do personagem”, reflete Macedo.
A nacionalidade de Adriano foi uma escolha intencional. Como o personagem, Alejandro Claveaux tem pais uruguaios e incorporou o sotaque de Rivera, que sua mãe mantém no Brasil. Ele também se identificou com a solidão do personagem, lembrando as dificuldades enfrentadas por sua família ao emigrar do Uruguai. “A vida do imigrante é muito difícil, e Adriano começou a trabalhar com sexo para sobreviver”, comenta Claveaux.
Ruas da Glória é recomendado para maiores de 18 anos.


