
Lançamento do foguete SLS da missão Artemis II rumo ao lado oculto da Lua (Foto: Instagram)
Às 13h24m59s no horário padrão central dos EUA, em 19 de dezembro de 1972, o módulo de comando da Apollo 17 pousou no Oceano Pacífico, cerca de 350 milhas náuticas a sudeste de Samoa, finalizando a última missão tripulada americana à Lua.
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Durante sua carreira, o comandante da Apollo 17, Eugene A. Cernan, acumulou 566 horas e 15 minutos no espaço, com mais de 73 horas passadas na superfície lunar. Cernan foi o segundo americano a caminhar no espaço e a última pessoa a deixar pegadas na Lua.
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O encerramento da missão Apollo 17 não marcou apenas o fim de uma missão, mas também de uma era. Entre 1969 e 1972, 12 astronautas caminharam na Lua em seis pousos diferentes.
Cinco décadas depois, a Nasa retorna à Lua com o programa Artemis. Na missão Artemis II, lançada em 1º de abril de 2026, quatro astronautas farão um sobrevoo do lado oculto da Lua na cápsula tripulada Órion.
Mais de 50 anos se passaram, e é natural questionar: se os americanos conseguiam ir à Lua regularmente no início dos anos 1970, por que demoraram tanto para tentar novamente?
A resposta é complexa e tem mais a ver com política, finanças e apoio global do que com tecnologia. O programa Apollo não foi projetado para ser sustentável a longo prazo.
Em 25 de maio de 1961, o presidente John F. Kennedy comprometeu os EUA a levar um homem à Lua e trazê-lo de volta antes do final da década. Após seu assassinato em 1963, o presidente Lyndon B. Johnson garantiu que essa meta fosse alcançada.
Porém, os custos da Guerra do Vietnã e das reformas internas diminuíram o interesse por novos investimentos espaciais. O orçamento da Nasa atingiu seu auge em 1966 e começou a cair antes mesmo do sucesso do Apollo.
A exploração sustentável requer compromisso político, financiamento previsível e objetivos claros a longo prazo. Após o Apollo, os EUA tiveram dificuldades em manter esses elementos.
Em 1972, o presidente Richard Nixon instruiu a Nasa a desenvolver o ônibus espacial, mudando o foco da exploração do espaço profundo para operações em órbita baixa da Terra.
Apresentado como um "caminhão espacial" reutilizável, o ônibus espacial deveria tornar o acesso à órbita terrestre rotineiro e barato, mas acabou sendo complexo e marcado por tragédias, como os acidentes Challenger e Columbia.
Oito anos após o início do programa do ônibus espacial, alguns especialistas acreditavam que os EUA deveriam mirar novamente na Lua e até em Marte. Em 20 de julho de 1989, o presidente George H.W. Bush anunciou a Iniciativa de Exploração Espacial (SEI).
O plano previa um compromisso de longo prazo para construir a Estação Espacial Freedom, retornar à Lua e, eventualmente, enviar humanos a Marte. No entanto, os altos custos levaram ao fracasso da SEI.
Nos anos 1990, a Estação Espacial Internacional (ISS) consolidou a órbita baixa da Terra como prioridade na exploração humana, consumindo recursos que poderiam ter sido usados na exploração do espaço profundo.
O desastre do Columbia em 2003 levou a uma nova reflexão sobre a exploração espacial nos EUA. O presidente George W. Bush anunciou a Visão para a Exploração Espacial, que deu origem ao Programa Constellation.
O objetivo era reconstruir a capacidade de chegar à Lua, com Marte como meta de longo prazo. No entanto, custos e cronogramas irreais levaram ao cancelamento do Constellation em 2010, durante a presidência de Barack Obama.
Esse ciclo de cancelamentos expõe limitações do sistema de financiamento da exploração lunar. Um programa sustentável requer compromisso multissetorial e mecanismos para garantir financiamento ao longo de décadas.
A exploração lunar enfrenta a questão estratégica: por que voltar? O programa Apollo tinha um objetivo geopolítico, mas após a Guerra Fria, uma justificativa igualmente convincente não surgiu.
Os retornos científicos das missões tripuladas são limitados em comparação com a exploração robótica, e as perspectivas comerciais permanecem incertas.
O Artemis, no entanto, parece evitar esse padrão. A Nasa argumenta que o programa ajudará a aprender "como viver e trabalhar em outro mundo", preparando para missões a Marte.
O programa é construído por meio de parcerias comerciais e cooperação internacional, criando uma presença humana de longo prazo na Lua.
Se o Artemis tiver sucesso, será porque todos os incentivos políticos, econômicos, sociais e científicos finalmente se alinharam. Até lá, o intervalo de 50 anos entre Apollo e Artemis é um lembrete das dificuldades da exploração espacial sustentada.


