
Governador de Roraima durante sessão sobre inquérito da Polícia Federal (Foto: Instagram)
Um empresário, que era sócio do ex-governador de Roraima Antonio Denarium (Republicanos) em um frigorífico, recebeu R$ 250 mil em uma única transação do empresário Clóvis Braz Pedra, indiciado pela Polícia Federal por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
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O inquérito da PF, obtido pelo Metrópoles, revela que Clóvis, apontado como "testa de ferro" em um esquema de fraudes em licitações, transferiu R$ 250 mil para Antônio Parima Vieira, que era sócio de Denarium no Frigo 10 até março de 2025.
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Parima deixou a sociedade no dia 31 de março, mesma data em que o Auto Posto Olímpico, empresa do ex-chefe da Casa Civil Disney Mesquita, tornou-se sócia do frigorífico.
Disney é mencionado como beneficiário de pagamentos milionários realizados pelo empresário indiciado. O inquérito da PF destaca que a C B Pedra, empresa de Clóvis, fez transações significativas para o ex-chefe da Casa Civil de Roraima.
Entre os pagamentos suspeitos, destacam-se R$ 5,7 milhões para a DEC Construções, empresa de Disney, que, segundo investigações, não apresenta sinais de operação. Outros R$ 2,6 milhões foram transferidos para um posto do ex-chefe da Casa Civil, R$ 619 mil para outro posto similar e R$ 226 mil para um terceiro posto de combustíveis também de sua propriedade.
Clóvis também transferiu R$ 1,7 milhão suspeito de ser pagamento de propina para uma empresa do marido da secretária-adjunta de Infraestrutura, Delchelly de Oliveira.
Um relatório do Coaf indicou que saques de grandes quantias são comuns na conta de Clóvis. Em nove meses de 2025, ele teria sacado R$ 1,7 milhão em espécie. A PF suspeita que o dinheiro foi usado para pagar propina a agentes públicos para favorecer a C B Pedra em licitações.
A PF indiciou Clóvis Braz Pedra, a secretária Ana Clara Araújo Cruz de Oliveira e o policial militar Marcos Holanda por lavagem de dinheiro e associação criminosa. Ana Clara e Marcos estavam com Clóvis quando ele foi preso em flagrante ao sacar R$ 150 mil.
CONVERSAS NO WHATSAPP
O conteúdo do celular apreendido com Clóvis revelou uma relação próxima com políticos do Estado, incluindo o atual governador Edilson Damião (União Brasil), e outros empresários que venceram licitações do governo.
A PF destacou conversas frequentes entre Clóvis e Edilson Damião, discutindo encontros e processos licitatórios de forma informal e incompatível com um relacionamento profissional entre licitante e secretário de Infraestrutura.
Em uma conversa de 20 de março de 2025, Clóvis pergunta ao então secretário e atual governador sobre uma emenda de R$ 2 milhões: "Boa tarde, amigo. Aquela conversa cjúnior emenda 2.000.000,00 foi avante??? Colocar na galhada. Ja falei c o portela. O q m diz??? [sic]". Damião responde: "Boa tarde amigo. Ainda não deu certo".
GOVERNADOR CHEFE DO “BRAÇO OPERACIONAL”
De acordo com a coluna de Mirelle Pinheiro, do Metrópoles, a PF encontrou indícios de que o atual governador de Roraima, que era secretário de Infraestrutura na época, atuou como "chefe do braço operacional" do esquema.
Devido à presença de uma autoridade com foro privilegiado, a PF solicitou o envio do caso ao Tribunal de Justiça de Roraima.
A decisão judicial confirma a mudança de instância e menciona "indícios da participação de agente público detentor de foro por prerrogativa de função".
O caso está sob sigilo e agora é supervisionado pelo Tribunal de Justiça de Roraima, que decidirá sobre possíveis desdobramentos, incluindo a possibilidade de denúncia formal. A coluna tentou contato com o governador, mas ainda não obteve resposta.


