
Caixas de medicamentos de alto custo apreendidas pela PCDF na Operação Alto Custo (Foto: Instagram)
A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) desarticulou uma organização criminosa especializada na "lavagem de medicamentos" destinados a tratamentos de câncer, pacientes autoimunes e transplantados. As investigações ainda avaliam o impacto das ações do grupo, já que os medicamentos, vendidos sem controle de refrigeração, eram majoritariamente destinados a hospitais e instituições de saúde pública.
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O delegado Laércio Rosseto, da 10ª Delegacia de Polícia (Lago Sul), liderou as investigações da Operação Alto Custo, deflagrada na sexta-feira (17/4). Segundo as investigações, há evidências de que o grupo opera em nível nacional há pelo menos seis anos.
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Durante as investigações, foram identificadas atividades do grupo no Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Rio de Janeiro e São Paulo. Cidades do Entorno do DF, como Valparaíso de Goiás e Novo Gama, também foram envolvidas no esquema.
Medicamentos como Imbruvica, Venclexta e Tagrisso eram frequentemente roubados ou desviados. O preço por caixa pode chegar a R$ 80 mil. A polícia suspeita que muitos desses medicamentos perderam a eficácia devido à má conservação, transformando-se em placebos ou, pior, sendo vendidos em condições que poderiam causar danos à saúde.
“O princípio ativo do medicamento, com o tempo, perde a eficácia. Em alguns casos, pode até intoxicar o paciente. É uma situação grave, pois o paciente recebe uma toxina ao invés de um medicamento benéfico”, explicou o delegado.
Por isso, a PCDF firmou uma parceria com a Anvisa para fiscalizar as cargas interceptadas pelo grupo e monitorar possíveis revendas dos medicamentos.
O ESQUEMA DA ORGANIZAÇÃO
Rosseto explicou que os medicamentos eram roubados e revendidos a órgãos de saúde e hospitais públicos.
“Existe uma distribuidora legal que opera dentro da lei. O laboratório produz, coloca no mercado, e a distribuidora repassa. O problema é que esses medicamentos estão sendo desviados, não chegando aos hospitais e municípios”, afirmou.
Em 31 de março, ocorreu a interceptação mais recente do grupo em Niterói (RJ). Os medicamentos saíram de uma distribuidora em Minas Gerais e foram interceptados por criminosos armados no Rio de Janeiro.
A 10ª DP recuperou os medicamentos no Aeroporto Internacional de Brasília. A carga, avaliada em R$ 4 milhões, tinha como destino uma empresa de fachada em Samambaia (DF).
“Estamos investigando se há conexão com facções criminosas como o Comando Vermelho ou o Primeiro Comando da Capital”, acrescentou o delegado.
As investigações revelaram um esquema interno: 13 funcionários de uma distribuidora no aeroporto da capital desviavam medicamentos, mascarando os furtos para evitar suspeitas.
Os medicamentos de alto valor eram retirados do estoque e escondidos em caixas destinadas ao descarte. Posteriormente, eram levados para a doca de expedição, entregues a terceiros e encaminhados para distribuidoras fantasmas.
Como funcionava a “lavagem de dinheiro”
- O grupo roubava cargas de distribuidoras legais de medicamentos;
- As medicações eram vendidas através de empresas de fachada;
- Em um ano, o líder Alécio Soares Silva movimentou R$ 22 milhões;
- O lucro era obtido através de um sistema de "lavagem de medicamentos", com notas fiscais frias para legalizar produtos roubados;
- As atividades foram identificadas em pelo menos três empresas: duas em Goiânia e uma em Samambaia.
INTEGRANTES DO ESQUEMA
Os 13 funcionários recebiam entre R$ 2 mil e R$ 3 mil, mas a quebra do sigilo bancário revelou ganhos superiores, chegando a R$ 3 milhões. Todos foram indiciados pela PCDF.
“O líder da organização pagava essas quantias, mas acreditamos que os valores são muito maiores”, disse o delegado.
Três integrantes foram presos e dois estão foragidos, incluindo o líder Alécio e Danilo Gonçalves de Souza.
Ao todo, foram cumpridos 17 mandados de busca e apreensão e cinco prisões preventivas, com apoio da Divisão de Operações Especiais da Polícia Civil de Goiás.


