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Cientista do Butantan explica como identificar cobras venenosas

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Cobra em solo arenoso alerta para prevenção de acidentes (Foto: Instagram)

Apesar de não serem a principal causa de mortes, os ataques de cobras são um problema de saúde pública significativo. A maioria dos acidentes ocorre em áreas rurais, onde as serpentes vivem naturalmente. Embora ocorram casos em cidades, o risco é menor em áreas urbanas.

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Para se proteger, Francisco Luís Franco, pesquisador do Instituto Butantan em São Paulo, aconselha que não se tente distinguir se uma cobra é venenosa ou não – essa tarefa é para especialistas.

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“Embora as serpentes possam parecer simples, há uma grande diversidade de características morfológicas. Especialistas conseguem identificar se uma espécie é peçonhenta, mas para leigos, isso é arriscado”, diz o pesquisador do Laboratório de Coleções Zoológicas do Butantan. A tentativa de distinguir cobras muitas vezes é baseada em desinformação disseminada por “boca a boca” ou internet. Franco explica que muitos dos critérios de diferenciação são mitos, e muitas “dicas” vêm da Europa, onde a variedade de espécies é menor que no Brasil.

Entre as crenças equivocadas estão:

  • Cabeça triangular: ocorre tanto em serpentes peçonhentas quanto nas não peçonhentas. Nas não venenosas, pode ser um mecanismo de defesa para parecer perigosa;
  • Escamas dorsais quilhadas: a linha mais saliente no corpo das cobras pode estar presente em espécies venenosas e não venenosas;
  • Pupila vertical: também encontrada em serpentes peçonhentas e não peçonhentas;
  • Caudas curtas: não são exclusivas de espécies venenosas.

A principal recomendação é clara: ao encontrar uma cobra, mantenha distância. Se ela entrar em casa, chame as autoridades, como o Corpo de Bombeiros (193), afaste-se e retire os animais de estimação da área.

“Não tente identificar serpentes com base em características visuais simplificadas e nunca manipule o animal. Erros de identificação são comuns e podem ser fatais”, alerta Franco.

No Brasil, as famílias Viperidae (jararacas, cascavéis e surucucus) e Elapidae (corais-verdadeiras) são responsáveis pela maioria dos casos médicos. A melhor estratégia é manter distância, pois os ataques não são intencionais. Se não se sentir ameaçada, a cobra irá embora.

“É melhor ficar imóvel ou afastar-se lentamente, permitindo que a cobra siga seu caminho. A maioria dos acidentes acontece ao tentar manipular ou se aproximar demais”, afirma Alice Arantes Carneiro, professora de biologia do Colégio Católica Padre de Man, em Minas Gerais.

E em caso de picadas?

  • Procure ajuda médica imediatamente, com auxílio de terceiros ou pelo Samu.
  • Manter a calma ajuda a evitar a aceleração da circulação sanguínea e a disseminação do veneno.
  • Lave a ferida com água e sabão. Não use torniquetes, cortes ou sucção.
  • Evite tratamentos caseiros.

“Se possível, tire uma foto ou descreva a serpente envolvida no acidente. Nunca tente capturar o animal, pois isso pode causar outro acidente”, orienta Hudson Monteiro, professor de biologia do Colégio Marista Champagnat, em Brasília.

Franco destaca que a única terapia eficaz é a soroterapia. “O soro neutraliza o veneno circulante, mas não reverte danos já causados. Por isso, o atendimento precoce é crucial”, afirma.

Para evitar acidentes com cobras, as principais dicas são:

  • Evitar acúmulo de lixo e restos de alimento, que atraem roedores, principal alimento das cobras;
  • Cuidado com entulhos, pilhas de telhas e galpões, que podem abrigar cobras e roedores;
  • Preferir áreas com piso limpo, terra batida ou grama bem cuidada, pois vegetação densa pode esconder cobras;
  • Em áreas de risco, usar EPIs, calças e camisas de manga comprida, calçados fechados e luvas para evitar acidentes.

“A conservação ambiental é essencial. Em áreas preservadas, a proporção de espécies perigosas tende a ser menor. Além disso, predadores naturais ajudam a controlar as populações”, indica o pesquisador do Butantan.

É importante entender que os acidentes não ocorrem por vontade das cobras. Sempre que possível, evite eliminá-las, pois seu desaparecimento pode causar desequilíbrios na natureza.

“As serpentes têm um papel ecológico crucial, controlando populações de roedores e outros animais, contribuindo para o equilíbrio dos ecossistemas”, defende Alice.

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