
Vera Lúcia Santana é apontada como testa de ferro em esquema bilionário de lavagem de dinheiro (Foto: Instagram)
A Polícia Federal afirma que Vera Lúcia Santana, avó de Ryan Santana dos Santos, conhecido como MC Ryan SP, foi utilizada como laranja e testa de ferro em um esquema bilionário de lavagem de dinheiro supostamente liderado por ele.
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De acordo com a investigação, Vera, de 58 anos, desempenhou um papel crucial na proteção de bens e na ocultação de sociedades dentro da organização criminosa. Ela vive com Tiago de Oliveira, considerado o braço direito e gestor financeiro de Ryan, em um endereço na Vila Guilherme, zona norte de São Paulo, onde funciona uma espécie de "central corporativa" das empresas do grupo.
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Vera foi utilizada como "testa de ferro" ao assumir a sociedade em negócios suspeitos, como o Bololô Restaurant & Bar e a Bololô Eventos e Transportes, dos quais Tiago também é sócio. Ryan transferiu suas cotas do restaurante para a avó após o local ser alvo de buscas pela Polícia Civil por supostos vínculos com o PCC e rifas ilegais.
A investigação aponta que Vera serviu como "conta de passagem" no esquema, com sua conta bancária utilizada para escoar os lucros das empresas para os operadores criminosos. Ela assina pela gestão de ativos milionários do neto, geridos por Tiago, que são incompatíveis com seu histórico patrimonial. O restaurante Bololô movimentou R$ 30 milhões em 18 meses, evidenciando que Vera assumiu riscos administrativos e fiscais enquanto Ryan permanecia oculto.
Ryan foi preso temporariamente na manhã de quarta-feira (15/4) durante a Operação Narco Fluxo, assim como Tiago. O artista é acusado de operar uma estrutura criminosa que lava grandes somas de dinheiro ilícito por meio das indústrias fonográfica e de entretenimento. Vera não foi alvo de mandado de prisão, mas o restaurante que administra sofre sequestro de valores e bloqueio patrimonial.
A operação também mira outras figuras conhecidas, como o funkeiro Poze do Rodo e o influenciador Chrys Dias. A Polícia Federal acredita que o grupo criminoso movimentou mais de R$ 1,6 bilhão. Foram determinadas medidas de constrição patrimonial e o sequestro de bens. As investigações indicam que a movimentação financeira ocorria no Brasil e no exterior.
Mais de 200 policiais federais participaram da Operação Narco Fluxo, que cumpriu 45 mandados de busca e apreensão e 39 de prisão temporária, expedidos pela 5ª Vara Federal de Santos. A ação ocorreu em vários estados, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Distrito Federal. A Justiça determinou o bloqueio de até R$ 2,2 bilhões em bens de Ryan, atingindo 77 alvos entre empresas e pessoas físicas. As investigações continuam, e os envolvidos podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.
A defesa de MC Ryan declarou que ainda não teve acesso ao processo, mas confia que os esclarecimentos demonstrarão a verdade. Os advogados de MC Poze afirmaram desconhecer os autos e aguardam acesso para se manifestar na Justiça. A defesa de Raphael Sousa, dono da Choquei, destacou que seu vínculo com os fatos investigados se deve exclusivamente à prestação de serviços publicitários. A defesa de Chrys Dias e Débora Paixão informou que as manifestações ocorrerão apenas nos autos, repudiando vazamentos de imagens.


