
Estátua da Liberdade segura bola oficial da Copa do Mundo em frente à bandeira iraniana, ressaltando a incerteza sobre a participação do Irã em 2026 (Foto: Instagram)
A menos de dois meses para o início da Copa do Mundo de 2026, a presença do Irã no torneio ainda não está definida. Em meio a um conflito com os Estados Unidos — um dos países que sediará o evento —, a situação continua incerta, demonstrando como tensões geopolíticas estão ultrapassando o campo esportivo e questionando a própria organização do Mundial.
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A competição está agendada para começar em 11 de junho, no Estádio Azteca, no México, ou seja, em 45 dias. Apesar de ser a maior edição da história, com 48 seleções, 104 jogos e três países-sede, a Copa deste ano enfrenta uma série de crises que vão desde questões políticas internacionais até o alto custo para os torcedores.
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O principal ponto de tensão envolve o conflito direto entre Washington e Teerã, que começou após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano. Desde então, a relação entre os dois países piorou rapidamente, impactando diretamente a logística da competição. A seleção iraniana, que se classificou em campo, está no Grupo G e tem seus três jogos da fase inicial programados para os Estados Unidos, em cidades como Los Angeles e Seattle. No entanto, a possibilidade de a delegação iraniana viajar ao país adversário em meio ao conflito é vista como incerta. Autoridades iranianas já indicaram que a participação depende de mudanças no local das partidas — proposta considerada inviável pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) por razões logísticas e comerciais.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na última semana que o governo norte-americano não pretende impedir a participação dos atletas na Copa do Mundo, apesar das tensões entre os países. “Não queremos prejudicar os atletas [iranianos]”, disse Trump ao comentar a presença da seleção no torneio. Apesar disso, há alguns meses, o republicano declarou que “não se importava” com a participação da equipe iraniana e chegou a chamar o país de “muito derrotado, à beira do colapso”. Segundo o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o principal ponto de preocupação não são os atletas, mas possíveis integrantes da delegação com vínculos com a Guarda Revolucionária Islâmica. “O problema com o Irã não seriam seus atletas. Seriam algumas das outras pessoas que eles gostariam de trazer consigo”, disse. Ele acrescentou que indivíduos com esse tipo de ligação poderiam não ser autorizados a entrar no país.
Do lado iraniano, o discurso também oscila. Enquanto autoridades esportivas afirmam que a equipe está pronta para disputar o torneio, lideranças políticas indicam que a decisão final dependerá do regime dos aiatolás. A crise já teve reflexos concretos. O Irã não enviou representantes a um evento oficial da Fifa realizado em março, nos Estados Unidos, para planejamento do Mundial. Ao Metrópoles, o professor Vitor de Pieri, de geografia humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), avaliou que o episódio reforça uma tendência recente: decisões esportivas cada vez mais influenciadas por fatores políticos e geopolíticos. “A ideia de que o futebol opera como um espaço neutro e universal tem sido progressivamente tensionada nas últimas décadas. O caso envolvendo o Irã, às vésperas de uma Copa do Mundo, insere-se de maneira emblemática nesse contexto.” O caso da exclusão da Rússia após o início da guerra na Ucrânia é citado como precedente direto dessa mudança.
Para Pieri, as discussões sobre o Irã extrapolam o futebol e evidenciam a dificuldade de manter a neutralidade esportiva. “As discussões sobre sua presença refletem um ambiente de tensões crescentes com os Estados Unidos e deslocam o debate para o terreno da segurança internacional.” Nos bastidores, alternativas, como transferir jogos para o México, chegaram a ser discutidas, mas levantam questionamentos sobre igualdade entre seleções e impacto logístico. Também surgiu a hipótese de substituição do Irã, o que abriria um precedente ainda mais controverso ao afetar critérios esportivos de classificação.
Além da crise geopolítica, a Copa de 2026 enfrenta críticas pelos preços dos ingressos, considerados os mais altos da história do torneio. Bilhetes para jogos chegam a custar milhares de dólares, enquanto serviços básicos, como transporte, também tiveram aumentos expressivos. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, defende que o futebol deve “construir pontes”, mas tem sido questionado pela condução do evento em meio a tensões globais. Até o momento, o Irã não está fora da Copa, mas também não tem presença garantida. A decisão final depende de fatores políticos, diplomáticos e de segurança que vão além do controle esportivo. Sem precedentes recentes de exclusão ou desistência às vésperas de um Mundial, a Fifa evita tomar uma decisão imediata e monitora o desenrolar do conflito.


