
Motociclistas seguem pela Faixa Azul exclusiva implantada em Belo Horizonte (Foto: Instagram)
Belo Horizonte — A cidade de Belo Horizonte vai introduzir uma Faixa Azul exclusiva para motocicletas. Este anúncio foi feito na terça-feira (28/4) pelo prefeito Álvaro Damião (União Brasil) em suas redes sociais e publicado no Diário Oficial do Município (DOM). A iniciativa, autorizada pelo Governo Federal através da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), é vista pelo prefeito como um passo crucial para organizar o trânsito de motos e diminuir o número elevado de acidentes na região.
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Belo Horizonte tem visto um aumento expressivo em sua frota de motocicletas nos últimos anos. Dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) indicam que o número de motos na capital mineira cresceu de 204.465 em 2015 para 312.527 em 2025, o que representa um aumento de quase 53% em uma década.
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A frota total de veículos na cidade ultrapassou os 2,7 milhões, com motocicletas representando cerca de 12%, destacando a importância crescente desse meio de transporte no dia a dia da cidade. Esse crescimento, que superou uma média de 10 mil novas motos por ano na última década, traz desafios para o trânsito. Embora as motos ofereçam praticidade e menor custo, o aumento de sua presença nas ruas está ligado a um crescimento no número de acidentes envolvendo motociclistas.
Os acidentes com motos em Belo Horizonte atingiram números recordes, de acordo com o Observatório de Segurança Pública da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais (Sejusp). Em 2025, a cidade registrou 21.137 acidentes com motocicletas, o maior número em uma década, representando um aumento de quase 70% em relação a 2015, quando foram registrados 12.464 casos.
Entre 2019 e 2024, os acidentes com motos cresceram 31%, de 15.487 para 20.253 ocorrências. Em 2025, a tendência continuou, com 12.057 acidentes até julho, comparado a 11.672 no mesmo período de 2024. Dos mais de 12 mil acidentes registrados em parte de 2025, 9.411 tiveram vítimas, a maioria com lesões leves (7.172 casos), mas resultaram em 90 mortes. A maioria das vítimas é do sexo masculino, com 27% sendo mulheres (aproximadamente 2.622 pessoas).
As avenidas mais perigosas para motociclistas em Belo Horizonte são:
- Av. Cristiano Machado: 941 acidentes em 2025
- Anel Rodoviário: 818 ocorrências
- Av. Antônio Carlos: 645 registros
Essas vias mantiveram sua posição nos primeiros meses de 2026, indicando uma concentração de acidentes nesses corredores movimentados.
O projeto da “Motofaixa” terá sua primeira fase cobrindo oito quilômetros da Via Expressa, incluindo as avenidas Teresa Cristina e Presidente Juscelino Kubitschek. A faixa será pintada de azul e posicionada entre as faixas 1 e 2, servindo como espaço preferencial para motos, similar ao que já existe em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Betim, na região metropolitana de BH.
A principal meta da motofaixa é diminuir os conflitos e acidentes entre veículos, aumentando a segurança dos motociclistas que enfrentam altos riscos no trânsito desordenado da capital. A implementação da Faixa Azul é uma das principais apostas da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para melhorar essa situação. Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana, o projeto necessitava da aprovação da Senatran, uma vez que o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não previa originalmente faixas exclusivas para motos.
O uso da motofaixa será opcional para os motociclistas, oferecendo uma alternativa para maior segurança e fluidez no trânsito. A demarcação seguirá o padrão de linhas tracejadas em azul e branco, localizada entre as duas faixas mais próximas ao canteiro central.


