
Sol alivia flocos, mas não trata a caspa (Foto: Instagram)
Coceira, descamação branca no couro cabeludo, oleosidade excessiva e pequenos "flocos" nos fios ou ombros são sinais típicos de caspa. Este problema é uma forma leve de dermatite seborreica, uma condição inflamatória crônica que afeta áreas ricas em glândulas sebáceas. Embora muitos acreditem que o sol no cabelo possa "secar" a caspa, especialistas alertam que esse efeito é limitado e não substitui o tratamento adequado.
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A exposição ao sol pode, em alguns casos, reduzir temporariamente a descamação devido à ação anti-inflamatória da radiação ultravioleta, que diminui a proliferação da levedura Malassezia, envolvida no surgimento da caspa. Algumas pessoas observam melhora no verão e piora no inverno, quando há menos exposição solar. A dermatologista Paula Chicralla destaca que o benefício é apenas temporário.
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"A exposição solar não trata a causa da doença e, portanto, não substitui o tratamento adequado. A dermatite seborreica é crônica e precisa de controle contínuo e individualizado", explica. A melhora é observada em casos leves, com pouca vermelhidão e coceira, e predominância de oleosidade. Nesses casos, alguns minutos de sol em horários seguros podem aliviar discretamente a descamação.
Recomenda-se evitar exposição solar entre 10h e 16h, quando a radiação é mais intensa. O ideal é optar por um curto período no início da manhã ou fim da tarde.
QUANDO PODE PIORAR
Apesar da melhora inicial, excesso de sol pode ter efeito contrário. A radiação ultravioleta pode danificar a barreira da pele, aumentar a perda de água e causar irritação local. Isso pode deixar o couro cabeludo mais seco e aumentar a descamação.
O sol pode piorar casos mais inflamados, com vermelhidão, ardência, sensibilidade ou presença de outras doenças, como psoríase, lúpus, rosácea ou fotossensibilidade. Nesses casos, a exposição sem orientação médica pode aumentar a irritação e dificultar o controle do problema.
A dermatologista Natasha Crepaldi ressalta a diferença entre exposição solar comum e fototerapia controlada.
"Em casos graves e resistentes, a fototerapia com UVB narrow-band feita em consultório pode ser indicada por médicos, mas isso não significa que tomar sol sem orientação seja seguro", explica. Além da predisposição individual, alguns hábitos podem levar a crises recorrentes. Lavar o cabelo com pouca frequência permite acúmulo de sebo, substrato para a Malassezia. Usar água quente, dormir com cabelo molhado e aplicar produtos oleosos na raiz também podem desequilibrar o couro cabeludo.
Estresse crônico, falta de sono, consumo excessivo de álcool, dieta rica em ultraprocessados e picos glicêmicos podem piorar a inflamação. Em alguns pacientes, deficiências nutricionais, como zinco, vitamina D, biotina e ácidos graxos essenciais, podem agravar o quadro.
COMO TRATAR A CASPA RECORRENTE
A caspa é uma forma leve de dermatite seborreica, causando descamação fina e branca no couro cabeludo, com pouca vermelhidão. Já a dermatite seborreica é mais inflamatória, com placas vermelhas, descamação amarelada e espessa, coceira intensa e pode afetar outras áreas, como sobrancelhas, sulco nasal, atrás das orelhas e tórax.
O controle é consistente. A rotina inclui xampus com cetoconazol, ciclopiroxolamina, piritionato de zinco, sulfeto de selênio e ácido salicílico. Um erro comum é enxaguar rapidamente.
"O xampu deve ficar em contato com o couro cabeludo por três a cinco minutos antes do enxágue, para que o ativo aja adequadamente", orienta Natasha. Mesmo após a melhora, é importante manter o uso intermitente, uma ou duas vezes por semana, para evitar recaídas. Recomenda-se lavar o couro cabeludo regularmente, usar água morna ou fria e evitar acúmulo de produtos na raiz.
A descamação deve ser avaliada por um dermatologista quando não melhorar com cuidados básicos ou vier acompanhada de vermelhidão intensa, feridas, sangramento, queda de cabelo ou lesões em outras partes do corpo. É necessário descartar doenças como psoríase, dermatite de contato, dermatite atópica, infecção fúngica e lúpus discóide.


