
Painel com símbolo da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) em sua sede. (Foto: Instagram)
No contexto do Caso Naskar, a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) anunciou nesta segunda-feira (11/5) que a fintech não está registrada junto ao órgão. A Naskar deixou de pagar 3 mil clientes e interrompeu o uso do aplicativo onde os investidores gerenciavam seus ativos, conforme reportado pelo Metrópoles.
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“Afirmamos que a empresa mencionada [Naskar Gestão de Ativos] não possui registro para operar nos mercados regulados pela CVM”, declarou a Comissão.
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A autarquia aproveitou a oportunidade para explicar seu papel. “A CVM monitora e analisa informações e movimentações no mercado de valores mobiliários brasileiro, tomando as ações necessárias quando preciso”, detalhou.
“Nesse cenário, a CVM atua na supervisão e fiscalização de participantes do mercado de capitais, inclusive em casos que possam envolver oferta irregular de valores mobiliários ou atuação irregular no mercado de capitais”, alertou a CVM.
Qualquer cidadão, seja investidor ou não, pode esclarecer dúvidas, registrar reclamações e fazer denúncias através dos canais de atendimento da CVM. Também é possível consultar o Cadastro Geral de Regulados para verificar se uma instituição está cadastrada junto à comissão.
SINDICATO DEFENDE REGULAÇÃO
Ainda nesta segunda-feira (11/5), o Sindicato dos Bancários de São Paulo manifestou-se pedindo regulação para fintechs como a Naskar. “Existem muitos casos que mostram a fragilidade regulatória em relação às fintechs e outras instituições financeiras não bancárias”, afirmou a presidente Neiva Ribeiro.
“Sem regulação forte, fiscalização rigorosa e proteção ao trabalho, continuaremos a repetir crises que penalizam trabalhadores, clientes e a sociedade como um todo”, avaliou.
“Além da insegurança gerada aos clientes — que, como no caso da Naskar, ficam desesperados com a falta de informações confiáveis sobre seus investimentos, muitas vezes economias de uma vida inteira —, não faltam exemplos do uso de fintechs por organizações criminosas para lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio”, comentou a presidente.
Fintech é uma empresa de serviços financeiros que oferece facilidades aos clientes em comparação com bancos tradicionais.
O Metrópoles tentou, nesta segunda-feira (11/5), contato com a Naskar para comentar o posicionamento do Sindicato, mas não obteve resposta. O último pronunciamento da instituição trata do “entendimento da situação” dos clientes.
Entenda o caso
- A fintech Naskar Gestão de Ativos captava recursos de clientes e oferecia um retorno de 2% ao mês, valor bem acima do praticado pelo mercado;
- O Metrópoles apurou que a Naskar tinha cerca de 3 mil clientes. Somando o patrimônio de cada investidor, o valor sob responsabilidade da fintech era de mais de R$ 900 milhões;
- Por exemplo, se alguém investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cliente;
- Apesar do valor prometido ser muito superior ao praticado por bancos tradicionais, a Naskar operou por 13 anos sem problemas para os clientes;
- Até que, no início da última semana, o pagamento mensal de rendimentos, previsto para 4 de maio, não foi realizado;
- Os clientes buscaram contato com os sócios para entender o que estava acontecendo, mas não obtiveram resposta. Os donos são Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o ex-jogador de vôlei e apresentador de TV Maurício Jahu;
- Sem contato com os administradores da Naskar, os investidores tentaram acessar o aplicativo da instituição para verificar se o patrimônio investido ainda estava lá. No entanto, o app deixou de funcionar em 6 de maio e ainda não voltou ao ar;
- A Naskar chegou a ter sede no DF e, mais recentemente, possuía endereço fixo em São Paulo (SP). No entanto, mudou-se desse local sem informar os clientes.
A fintech Naskar tinha como instituição financeira custodiante a Celcoin Instituição de Pagamento S.A., com sede em Barueri (SP). O Metrópoles entrou em contato com o banco, mas não obteve resposta. O espaço segue aberto para posicionamento.
CONTRATO RESCINDIDO
O aplicativo da Naskar, onde os clientes gerenciavam seu dinheiro, foi desenvolvido pela Alphacode Tecnologia da Informação. Em resposta ao Metrópoles nesta segunda-feira (11/5), a empresa alegou que a responsabilidade pelo não funcionamento do app é da fintech e confirmou que rescindiu o contrato com a financeira.
“Devido à falta de qualquer comunicação ou retorno dos responsáveis pela empresa, a Alphacode rescindiu de forma unilateral o contrato de prestação de serviços de tecnologia da informação que mantinha junto à Naskar na última sexta-feira (8/5)”, declarou a empresa de tecnologia.
“O cliente (Naskar) sempre teve 100% de autonomia de gestão sobre o seu aplicativo, podendo ativar ou desativar de acordo com as suas necessidades operacionais”, elucidou.
“A Alphacode reitera que atuou exclusivamente como prestadora de serviços de desenvolvimento de sistemas e aplicativos e suporte técnico da empresa, não tendo nenhuma relação, participação, comissão, ou qualquer associação com os serviços prestados pela Naskar aos clientes”, complementou.
O site da Naskar, que segue no ar, não é desenvolvido pela Alphacode.
15 OCORRÊNCIAS
A Polícia Civil do DF (PCDF) havia registrado, até esta segunda-feira (11/5), 15 ocorrências policiais contra a Naskar. Os boletins foram registrados por moradores da capital entre quinta-feira (7/5) e sábado (11/5), em delegacias diferentes. Por ora, cada unidade fará a apuração dos casos de forma individual.
O OUTRO LADO
Em nova nota, enviada nesta segunda-feira (11/5), a Naskar confirma que entrou em contato com os clientes, conforme revelado pelo Metrópoles no sábado (9/5).
“A Naskar informa que, neste momento, enviou os e-mails de circularização a toda a base de investidores. A próxima etapa é receber os documentos solicitados para entendimento da situação de cada um. Caso algum investidor não tenha recebido o e-mail, por favor, escreva para o endereço auditoria@sejanaskar.com.br”, diz a instituição.


