
Diamantes sobre fundo escuro: retrato do alvo do esquema de contrabando e lavagem de dinheiro em Roraima. (Foto: Instagram)
A investigação da Polícia Federal (PF) sobre um esquema de contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro em Roraima revelou movimentações financeiras milionárias que não condizem com a renda declarada e a estrutura formal dos suspeitos. Um dos nomes mencionados é o do empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do ex-governador de Roraima, Antonio Denarium.
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Relatórios financeiros analisados pela PF indicam saques significativos em dinheiro, transferências fragmentadas e empresas sem atividade operacional movimentando quantias milionárias.
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De acordo com os investigadores, Fabrício está no centro de uma rede suspeita de usar empresas de fachada e possíveis “laranjas” para ocultar patrimônio e movimentar recursos ligados ao comércio ilegal de diamantes. Valdete Ribeiro da Silva, técnica de enfermagem da Secretaria de Saúde de Roraima, é citada no inquérito.
A Polícia Federal destaca que ela é proprietária de um carro de luxo apreendido pela Polícia Rodoviária Federal durante as investigações, e aponta "incompatibilidade patrimonial" entre seus rendimentos e os bens registrados em seu nome.
Outro foco das investigações é a FB Serviços, empresa registrada em nome de Fabrício de Souza Almeida. Embora formalmente no ramo de representação comercial, a PF afirma que a empresa não possuía funcionários registrados nem estrutura operacional compatível com os valores movimentados. Relatórios do Coaf indicam que a empresa movimentou mais de R$ 6 milhões em poucos meses.
A análise bancária revelou um padrão considerado típico de lavagem de dinheiro. Grande parte dos recursos circulava por meio de TEDs, transferências fracionadas e operações distribuídas entre pessoas físicas e jurídicas sem vínculos econômicos aparentes. O Coaf também destacou um alto volume de saques em espécie realizados em regiões de fronteira, prática que dificulta o rastreamento do destino final dos recursos.
Os relatórios ainda mencionam transferências para parentes e pessoas ligadas ao núcleo investigado. Somente em saques, Fabrício teria retirado cerca de R$ 464 mil em operações fracionadas, segundo os documentos analisados pela PF.
Os investigadores afirmam que o grupo utilizava empresas sem atividade econômica efetiva para dar aparência de legalidade ao dinheiro movimentado. A investigação aponta que o esquema envolvia circulação pulverizada de valores, uso de terceiros para ocultação patrimonial e saques em espécie para dificultar o acompanhamento bancário das operações. As apurações integram investigações sobre lavagem de dinheiro, organização criminosa, crimes contra a ordem econômica e exploração ilegal de minério em Roraima.
A Polícia Federal solicitou a quebra de sigilo bancário dos envolvidos para aprofundar a identificação dos integrantes do grupo e rastrear a origem e o destino dos recursos investigados.


