
Quatro policiais civis foram presos em operação da Corregedoria em Carapicuíba (Foto: Instagram)
Policiais civis em São Paulo teriam transformado a sede de uma delegacia em um cativeiro para manter um homem sequestrado por cerca de dez horas, enquanto negociavam uma extorsão milionária. A vítima, Fábio Oliveira Silva, relatou à Corregedoria da Polícia Civil que foi levado, em 2 de abril, para uma sala da Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes (Dise) de Carapicuíba, onde ficou trancado até que parte do dinheiro exigido fosse entregue aos policiais envolvidos.
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A operação deflagrada na terça-feira (12/05) foi resultado de um inquérito da Corregedoria, que levou à prisão do escrivão João Ruper Rodrigues, dos investigadores Tiago Henrique Sousa Carvalho e Roberto Castelano, e do agente Diogo Prieto Júnior. Todos são acusados de extorsão qualificada e associação criminosa armada. A defesa dos envolvidos não foi localizada.
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Fábio relatou à Corregedoria em 22 de abril que foi levado de sua casa, em um condomínio na zona sul de São Paulo, por pelo menos oito homens que se identificaram como policiais civis. Sem mandado judicial, eles invadiram o imóvel. Fábio já havia sido preso anteriormente por suposto envolvimento no sequestro da mãe do ex-jogador Robinho.
O líder da ação foi descrito como um homem idoso, obeso, de barba e cabelos brancos, conhecido como “Bateria” ou “Véio”. Fábio encontrou seu ex-genro, Guilherme, algemado em uma viatura, e também foi algemado e levado à Dise de Carapicuíba. Durante o trajeto, os policiais exigiram dinheiro para não incriminá-lo, ameaçando forjar um flagrante com drogas.
Na delegacia, Fábio foi colocado em uma sala no andar superior, onde ficou das 17h às 3h. Enquanto isso, seu primo, Eder Silva, negociava o pagamento com os policiais. Eder afirmou ter recebido ligações de um agente chamado João, que exigia R$ 1 milhão para libertar Fábio. Ele reuniu R$ 303 mil e entregou em uma padaria em Barueri, mas as cobranças continuaram.
A investigação revelou que o valor exigido foi reduzido para R$ 500 mil, com o investigador Tiago Henrique Sousa Carvalho, conhecido como Japa, intermediando a negociação. Os policiais continuaram pressionando as vítimas, usando a estrutura policial para os crimes.
Na operação de terça-feira, mandados de prisão temporária e de busca e apreensão foram cumpridos. Dinheiro, armas, documentos e equipamentos eletrônicos foram apreendidos, permitindo que a polícia aprofunde as investigações. As investigações seguem em sigilo.


