
Mensagens revelam negociação de imóveis de luxo entre ex-presidente do BRB e banqueiro do Master (Foto: Instagram)
Mensagens obtidas pela Polícia Federal revelam que Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco Regional de Brasília (BRB), disse ao banqueiro Daniel Vorcaro que eles estariam "juntando" suas vidas após negociações de imóveis de luxo em São Paulo.
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A investigação suspeita que esses imóveis foram oferecidos como contrapartida a grandes aportes financeiros do banco público no Banco Master. As informações foram divulgadas pelo Estadão.
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As conversas fazem parte do inquérito enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e são citadas pela PF como um dos motivos para a prisão de Paulo Henrique Costa, que ocorreu em 16 de abril.
De acordo com os investigadores, o ex-presidente do BRB teria aceitado receber seis imóveis avaliados em R$ 146 milhões, dos quais cerca de R$ 74 milhões já teriam sido pagos. A PF afirma que as negociações ocorreram enquanto o BRB direcionava aproximadamente R$ 12 bilhões ao Banco Master por meio de operações consideradas irregulares.
Os diálogos revelam que Vorcaro estava diretamente envolvido na busca pelos imóveis. Em novembro de 2024, ele pediu a uma corretora que apresentasse opções de apartamentos para Paulo Henrique Costa, focando em condomínios de alto padrão na capital paulista.
Durante as negociações, a corretora informou ao banqueiro as preferências de Costa. Em uma mensagem, ela destacou que a presença de uma quadra de tênis era essencial para o ex-presidente do BRB ao considerar os imóveis.
Um apartamento no condomínio Heritage, no Itaim Bibi, avaliado em cerca de R$ 45 milhões, foi um dos analisados. Diante da dificuldade em agendar uma visita, Vorcaro sugeriu que Costa conhecesse uma unidade de sua propriedade no mesmo condomínio.
Após a visita, Paulo Henrique Costa enviou uma mensagem ao dono do Banco Master agradecendo pelo encontro e mencionou: "Estamos juntando nossas vidas".
Em outra parte das conversas, o ex-presidente do BRB perguntou a Vorcaro sobre sua "necessidade de caixa", referindo-se à possibilidade de novos repasses financeiros do BRB ao Banco Master.
A investigação apura suspeitas de irregularidades nas operações entre as duas instituições e uma tentativa de compra do Banco Master pelo BRB. Segundo a PF, esses negócios podem ter causado prejuízos bilionários ao banco público do Distrito Federal.
O executivo foi preso na quarta fase da Operação Compliance Zero, acusado de receber R$ 146 milhões de propina para favorecer interesses do Banco Master em negócios com o BRB.
De acordo com a investigação da Polícia Federal, o caso envolve crimes contra o Sistema Financeiro Nacional, incluindo gestão fraudulenta ou temerária de instituição financeira, corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Paulo Henrique Costa está atualmente detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), também conhecido como Papudinha, no Complexo Penitenciário da Papuda. Ele avança nas negociações para um acordo de delação premiada, conforme informou o Metrópoles na coluna de Manoela Alcântara.


