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Fazenda aposta na queda dos juros para impulsionar PIB no 4° trimestre

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Expectativa de corte de juros alimenta otimismo para o PIB (Foto: Instagram)

O Ministério da Fazenda espera que uma possível redução dos juros ainda este ano ajude o Produto Interno Bruto (PIB) a ganhar força no quarto trimestre. Contudo, o cenário é de incerteza, especialmente devido ao conflito no Oriente Médio, e o Banco Central (BC), responsável por ajustar as taxas, ainda não indicou que isso ocorrerá.

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A expectativa de queda nos juros está em uma nota técnica da Secretaria de Política Econômica (SPE) da Fazenda, divulgada na última sexta-feira (29/5), após o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciar um crescimento de 1,1% no PIB do primeiro trimestre de 2026.

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O Produto Interno Bruto (PIB) representa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade em um ano, e é divulgado trimestralmente pelo IBGE. Um aumento no PIB indica um bom ritmo de crescimento econômico, enquanto uma queda sugere retração na produção nacional. Em 2024, a economia brasileira cresceu 3,4%, em comparação com 3,2% em 2023.

Veja o desempenho dos setores econômicos no primeiro trimestre de 2026:

  • Agropecuária: 2%;
  • Indústria: 1%; e
  • Serviços: 0,5%.

“A expectativa é que o crescimento desacelere à medida que o efeito das políticas públicas diminua, mas seja parcialmente compensado pela redução no custo do crédito. No quarto trimestre, espera-se uma retomada com a indústria manufatureira ganhando força devido à flexibilização monetária em andamento”, afirma a nota da SPE.

Claudio Considera, professor associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (Ibre/FGV), concorda que a redução dos juros pode estimular o crescimento econômico, mas alerta que depender disso é arriscado.

“Há uma diminuição na incerteza, o que pode levar ao aumento da produção e do investimento, mas tudo depende de quanto será a redução da taxa de juros”, destaca Considera.

Ele ressalta que a incerteza diminuiu, mas ainda “não está claro o que acontecerá”, e aponta para outros fatores que influenciam o crescimento econômico.

“Os dados de investimento não são bons. Houve queda no investimento em comparação anual e trimestral, e o investimento não tem se comportado bem há algum tempo”, observa o especialista.

A flexibilização monetária mencionada pela SPE começou em 18 de março deste ano, quando o Comitê de Política Monetária (Copom), composto pelos diretores do Banco Central, reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 15% para 14,75%.

Num contexto de grande incerteza devido à guerra, iniciada em 28 de fevereiro, e com preços em alta, houve uma segunda redução para 14,5%. Na ata de abril, o Copom não indicou qual seria o próximo passo em junho.

Na última segunda-feira (25/5), o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o Copom está atento aos efeitos da guerra no Oriente Médio e do El Niño sobre a economia, fatores relevantes para decidir sobre um possível corte na Selic.

O objetivo dos diretores é entender se as revisões nas projeções econômicas, principalmente as de inflação, são afetadas “exclusivamente” pelo choque de oferta devido aos preços do petróleo, associado à Guerra no Oriente Médio, e ao Super El Niño, conforme previsões meteorológicas.

“A política monetária está tentando identificar o que é realmente um elemento de oferta exclusivo e quais são as possibilidades e riscos, o chamado efeito de segunda ordem”, destacou o presidente do BC.

A projeção de um PIB mais robusto para o primeiro trimestre era a aposta da maioria dos economistas. No entanto, as previsões já consideravam “altas contidas nos trimestres seguintes”, como indicado pelo Banco Central no Relatório de Política Monetária (RPM) de março.

Diante do resultado de sexta-feira, o Ministério da Fazenda mantém a projeção de crescimento de 2,3% para o PIB de 2026. O mercado é mais cauteloso, com o Boletim Focus indicando um avanço de 1,89%.

O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o BC também projetam um crescimento de 1,6%. O Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê um crescimento de 1,9%, o que pode recolocar o Brasil como a 10ª maior economia global.

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