
Emenda de R$1 milhão para jiu-jitsu vira alvo de investigação por suposto financiamento de rave (Foto: Instagram)
Uma emenda parlamentar de R$ 1 milhão, destinada pelo deputado federal Mario Frias (PL-SP) para aulas de jiu-jitsu para crianças carentes em Pirassununga, cidade com 73 mil habitantes a 200 km da capital paulista, pode ter sido utilizada para financiar uma rave de 28 horas, que reuniu até 10 mil pessoas.
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De acordo com uma denúncia apresentada ao Supremo Tribunal Federal (STF) por parlamentares do PSol, os recursos foram direcionados ao projeto social Lutando pela Vida, através do Instituto Conhecer Brasil (ICB), presidido por Karina Ferreira da Gama, que também é dona da produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A produtora, por meio de sua assessoria, nega qualquer irregularidade.
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Nesta segunda-feira (1º/6), Karina foi alvo de buscas e apreensões em uma operação da Polícia Civil de São Paulo, que investiga um suposto desvio de verbas públicas a partir de um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para a criação de pontos de Wi-Fi na cidade. A suspeita é que parte desse montante tenha sido usada para a produção do filme Dark Horse.
A denúncia ao STF, encaminhada ao relator Flávio Dino pelo deputado federal Pastor Henrique Vieira (PSol-RJ), descreve um “ecossistema econômico” e um grupo de pessoas conectadas ao recebimento da emenda de Mario Frias para o projeto de jiu-jitsu e à rave Terra Viva Festival, organizada pela Life Productions.
O gabinete de Mario Frias afirmou desconhecer o festival Terra Viva e não respondeu a outros questionamentos da reportagem.
A Life Productions é representada pelo advogado Kayo Henrique Azevedo, aliado de Mario Frias e ex-presidente do PL de Pirassununga. Ele é irmão de Raphael Azevedo, ex-chefe de gabinete do deputado, e teve um relacionamento com Gardênia Morais Leite, ex-assessora de Frias, que confessou ao portal G1 ter pago uma fatura do cartão de crédito da esposa do parlamentar, em um suposto esquema de rachadinha.
Os irmãos Azevedo são primos do prefeito de Pirassununga, Fernando Lubrecht (Novo), e do vereador Fabrício Lubrechet (Novo), que destinou R$ 47 mil para o mesmo projeto social de jiu-jitsu que recebeu R$ 1 milhão de Mario Frias, mas com a diferença de que atenderia 80 crianças, em vez das 500 previstas na emenda do deputado do PL.
Rudyge Boldrini, responsável pelo projeto social, afirmou ao Metrópoles que a emenda de Frias foi recebida em dezembro do ano passado, via ICB, enquanto o valor destinado por Lubrechet, através do Instituto Vitaluz, ainda está em tramitação. Mesmo assim, fotos mostram que as crianças ainda não têm kimonos para as aulas.
Boldrini diz ser prestador de serviço de Karina Ferreira da Gama e afirma ser vítima de uma “guerra política”. Ele explica que os kimonos não estão prontos e que os 500 alunos mencionados por Mario Frias se referem a dois anos do projeto, período maior que o dos 80 alunos da emenda do vereador.
“Já atendi muito mais que 500 crianças, mas é coisa antiga. Já passaram crianças, estão passando de novo, graças a Deus. Mas sabe o que vai acontecer, cara? Vocês vão acabar com um projeto sério dentro da cidade”, afirma Boldrini.
O advogado Kayo Henrique Azevedo refuta a suspeita de que as aulas de jiu-jitsu tenham servido como “cobertura” para a rave do Terra Viva Festival. Segundo ele, não há relação entre o projeto social e o evento musical.
“Não sou o responsável [pelo projeto social]. É aqui na cidade, mas não tem nada a ver comigo, entendeu? E nada a ver com o Terra Viva. O Terra Viva é uma rave, é empresa privada, é dinheiro privado. Estão tentando me queimar com uma situação de um cliente meu”, afirma.
Aline Maria Montagnana Trevizani, conhecida como DJ Ine, responde publicamente pela Life Productions, organizadora da rave. Ela é amiga do coordenador do projeto social e de Felipe Carmona, ex-secretário Nacional de Direitos Autorais na gestão de Mario Frias na Secretaria Especial de Cultura, e figura frequente no projeto Lutando pela Vida.
Aline aparece em uma foto nas redes sociais com as crianças do projeto social. Segundo o professor de jiu-jitsu, Aline pretendia realizar uma festa de Dia das Mães, mas o projeto foi frustrado pelas confusões em torno da rave.
A produtora da rave negou ao Metrópoles conhecer Karina Ferreira da Gama e disse não ter relação com Mario Frias.
“Não tenho relação com Mario Frias. Não conheço Karina Gama! Nunca tive negócios com o instituto mencionado! Nunca recebemos dinheiro público!”, afirma.


