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ONG de Belo Horizonte é criticada após acolher mulher que fingia ter 12 anos

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Projeto social defende acolhimento após mulher de 37 anos se passar por adolescente em abrigo (Foto: Instagram)

Comentários de ódio começaram a surgir nas redes sociais depois que foi divulgada a notícia de que Amanda Maria Souza de Oliveira, de 37 anos, havia sido acolhida por um projeto social em Belo Horizonte. Na capital mineira, a mulher se apresentava como “Karol” e ganhou notoriedade nacional ao ser presa em Santa Catarina por se passar por uma adolescente de 12 anos para obter ajuda em abrigos.

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Frases como “Tá de sacanagem que uma velha dessas enganou tanta gente assim” e “não dá nem para sentir pena dos otários que caíram nessa lorota” foram ditas após o caso ganhar visibilidade recentemente. As críticas são dirigidas ao acolhimento que a mulher, conhecida como “Karol” e que alegava ter 12 anos, recebeu há quase uma década. Na época, o projeto ComPaixão acolheu Amanda da mesma forma que faz com muitas outras mulheres em situação de vulnerabilidade. Agora, a ONG e outras entidades estão sendo alvo de ataques e ridicularizações nas redes sociais por não terem percebido as mentiras contadas por ela.

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A diretora Delma Soares está indignada com a reação e afirma que não se arrepende do apoio prestado.

“Vejo comentários falando ‘Casa do Chaves’, questionando o trabalho da instituição, e memes. Mas, se eu começar a julgar toda mulher que me procura pedindo ajuda, quem eu vou atender? Recebo casos gravíssimos, que muitas vezes parecem mentira quando são contados. Se eu trabalhar com essa desconfiança, não vou atender ninguém”, declarou.

Ela relatou ter visto comentários de pessoas dizendo que teriam vergonha de falar sobre o ocorrido. Contudo, ela tem outra visão sobre a situação.

“Eu não fui enganada. Atendi uma mulher que pediu ajuda, como qualquer outra. Segui os procedimentos de rotina que aplico a qualquer pessoa que busca acolhimento”, afirmou. Segundo Delma, Amanda também recebeu acompanhamento da promotoria e apoio psicológico.

COMO TUDO COMEÇOU
O início de tudo foi no primeiro semestre de 2017. Entre idas e vindas, Amanda permaneceu ligada ao projeto por cerca de um ano e meio, narrando uma história de vida trágica: teria sido vendida pelos próprios pais e seu primeiro “cliente” foi o próprio pai. Ela dizia ter vivido por muito tempo em uma rede de prostituição e exploração sexual no Nordeste.

Delma explicou que a história parecia plausível. “Nós, que estamos na linha de frente, lidamos com histórias horripilantes”, disse, destacando que a maioria das pessoas desconhece as condições desumanas em que mulheres e meninas vítimas de violência sexual e doméstica vivem, e que casos como o que Amanda relatou são relativamente comuns.

APARÊNCIA INFANTIL
Na época, Amanda, que hoje tem 37 anos e deveria ter cerca de 28, alegava ter 12 anos. Delma conta que acreditava que ela tivesse aproximadamente 14 anos. “Ela não tinha a aparência que tem hoje”, afirmou.

Nos abrigos, Amanda ajudava nas tarefas da casa e no cuidado de outras crianças. “A linguagem era típica de adolescente. Ela dizia: ‘Tia Delma, ela vai ficar com você ou vai te abandonar?'”, lembrou a diretora, recordando momentos em que dava atenção à criança.

Delma acredita que a situação não pode ser vista apenas como um caso policial, mas também envolve questões de saúde mental.

“Se ela cometeu crimes, tem, sim, que ser responsabilizada. E está com as autoridades de segurança. Mas, para mim, isso tudo mostra uma situação de saúde mental. É um caso muito sério, mas as pessoas tratam como piada. Elas não sabem tudo o que aconteceu nem todo o atendimento que foi prestado.”

Ainda impactada pela repercussão do caso, Delma afirmou que não pretende mudar a forma como conduz o projeto, baseado no acolhimento e na escuta de possíveis vítimas em uma sociedade em que muitas mulheres ainda deixam de denunciar a violência que sofrem. “Não vai fazer a gente parar. A gente continua, mesmo com as críticas”, afirmou.

A instituição oferece abrigo, alimentação, apoio psicológico, educação e capacitação profissional, mantém vagas para acolhimento de longa permanência e atendimentos emergenciais e presta assistência a mais de 100 famílias.

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