Vestígios guardados há 22 anos ajudam a resolver crimes no DF

Date:


Câmara fria da PCDF guarda vestígios biológicos para futuras reanálises (Foto: Instagram)

Um vestígio coletado hoje em uma cena de crime pode ser reanalisado daqui a 10, 15 ou até 20 anos. Para garantir essa possibilidade, a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) mantém cerca de 380 mil fragmentos sob a guarda da Divisão de Gestão e Custódia de Vestígios (DGCV). Entre esses materiais estão amostras de sangue, saliva e cabelo para exames de DNA, além de armas, roupas, aparelhos eletrônicos e outros itens que podem auxiliar na investigação e elucidação de crimes.

++ Sistema de IA mostra como pessoas estão criando conteúdo diário sem gravar vídeos

O acervo, que armazena vestígios desde 2004, contém provas de alguns dos casos mais notórios da história recente do Distrito Federal. Entre eles, o triplo homicídio da 113 Sul, ocorrido em 2009, e a chacina que resultou em 10 mortes no DF e Entorno entre o final de 2022 e início de 2023.

++ Jovem mata o padrasto para defender a mãe e o inesperado acontece

Tudo começa na cena do crime. O vestígio é coletado e enviado à DGCV dentro de um rigoroso fluxo que compõe a cadeia de custódia. O material chega sempre lacrado, em embalagens adequadas, e só pode ser manuseado por servidores com luvas para evitar contaminação.

Na unidade, o primeiro passo é o registro no sistema informatizado Lins. Cada item tem seu código de barras escaneado e é verificado junto à documentação. A equipe checa a integridade do lacre e a correspondência com o registro original. Só após essa verificação o vestígio é oficialmente incorporado ao sistema.

Em seguida, o material passa por uma triagem técnica. Ele é separado conforme o tipo e a necessidade de preservação. Vestígios biológicos e toxicológicos seguem fluxos distintos, com cuidados específicos de armazenamento. Em alguns casos, substâncias tóxicas têm prazo de validade para análise, podendo ser descartadas conforme norma técnica.

O processo envolve conferências sucessivas, como explica o diretor da DGCV, João Pitaluga, com dupla checagem em todas as etapas. "Erros podem ocorrer, mas não podem prosseguir. Sempre há alguém para revisar e corrigir", resume ele. A rastreabilidade completa dos materiais é reforçada. "Cada vestígio tem uma trajetória documentada", afirma.

Após catalogação, o vestígio é encaminhado para o ambiente mais adequado, com controle de umidade, temperatura e segurança reforçada. "A divisão realiza uma guarda técnica, cada tipo de vestígio demanda condições próprias de preservação", destaca o diretor.

Após a triagem, os vestígios são armazenados definitivamente. A DGCV utiliza diferentes condições de preservação, incluindo câmara fria e câmara seca, conforme a natureza de cada material.

O Metrópoles teve acesso exclusivo às áreas de armazenamento da unidade, incluindo a câmara fria, que abriga vestígios biológicos e requer controle rigoroso de temperatura para evitar degradação.

É nesse ambiente que ficam armazenados vestígios biológicos para preservação prolongada, como roupas com possíveis vestígios de sangue, amostras biológicas, fios de cabelo e tecidos. A preservação adequada é crucial para a confiabilidade das análises futuras, segundo João Pitaluga.

O acesso é altamente restrito: apenas três servidores têm autorização para entrar na câmara fria. O uso de equipamentos específicos é exigido, e a permanência no local é curta para evitar alterações nas condições de preservação.

A câmara fria é mantida a cerca de -20°C, essencial para preservar materiais sensíveis e permitir reanálises futuras. Já a câmara seca abriga materiais que não precisam de refrigeração, mas requerem controle ambiental e segurança.

A importância da preservação desses materiais é evidente em crimes notórios. Uma impressão palmar do triplo homicídio da 113 Sul tornou-se central na investigação da morte do ex-ministro do TSE José Guilherme Villela, sua esposa e a funcionária da família em 2009.

O caso ainda gera desdobramentos. Em setembro do ano passado, o STJ anulou o júri que condenou Adriana Villela a 61 anos de prisão, evidenciando como vestígios preservados podem ser reavaliados em diferentes fases judiciais.

Nem todos os vestígios são biológicos. Celulares e dispositivos eletrônicos também são preservados, como na chacina que deixou 10 mortos entre DF e Goiás entre 2022 e 2023. Os celulares das vítimas foram cruciais para reconstruir os crimes.

A análise dos dispositivos permitiu reconstituir a sequência dos sequestros e assassinatos, demonstrando que vestígios não se limitam a sangue ou armas. Informações em equipamentos eletrônicos podem ser provas decisivas para elucidar crimes.

spot_imgspot_imgspot_imgspot_img

Popular

Share post:

Notícias Relacionadas
Related

Assistente que acolheu mulher fingindo ser adolescente em BH fala sobre o caso

Assistente social defende seriedade de...

Terracap cobra 280 vezes mais em Vicente Pires do que no Caub

Regiões urbanas de Vicente Pires...

Cleitinho Azevedo hesita em oficializar candidatura ao governo de Minas Gerais

Senador Cleitinho Azevedo durante sessão...