Após perder mais de R$ 340 mil em apostas on-line, o brasileiro Thiago Morais da Silva Moita, de 35 anos, decidiu mudar completamente de vida. Morador de Iguape, no litoral de São Paulo, ele se alistou na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia e passou a atuar como combatente no conflito contra a Rússia.
Conhecido nas redes sociais como “BadBoynaUcrania”, Moita afirmou, em entrevista ao g1, que hoje vive na cidade de Dnipro e convive diariamente com o risco de morrer durante as missões. Segundo ele, a experiência também contribuiu para superar a ludopatia (vício em jogos de azar). “A pessoa precisa sobreviver para receber”, afirmou.
Antes de seguir para a Ucrânia, Thiago trabalhou como produtor de eventos, vendedor de eletrônicos e motorista de aplicativo. Ele contou que todo o dinheiro obtido nessas atividades acabou sendo perdido em plataformas de apostas, chegando a registrar um prejuízo de R$ 75 mil em apenas um dia.
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A mudança de rumo aconteceu após uma psicóloga identificar indícios de ludopatia. “Eu estava me destruindo. Pensei: ‘Eu preciso sair daqui, preciso mudar’. O meu pai me falou: ‘Você já apostou tudo que você tem, agora vai apostar a sua vida?’”, relatou.
Na tentativa de controlar o vício, ele chegou a pedir que o pai confiscasse seu celular.
Em março deste ano, Moita decidiu ingressar na Legião Internacional de Defesa da Ucrânia. Segundo ele, a escolha também foi influenciada pela tradição militar da família, embora parte dos parentes não tenha aprovado a decisão.
O brasileiro explicou que recebe remuneração pelo serviço prestado ao Exército Ucraniano. De acordo com ele, militares que atuam na linha de frente podem receber até 400 mil grívnias por mês, o equivalente a aproximadamente R$ 46,4 mil.
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Apesar disso, fez um alerta sobre os riscos da atividade. “Se for pelo salário, dá para ganhar dinheiro no Brasil. Aqui é brincar com a morte”, disse.
Logo após chegar ao país, Thiago sobreviveu a um ataque contra a base onde estava alojado. “Menos de uma semana depois que cheguei lá, caiu um míssil na minha casa. Passou um caça e jogou três bombas lá”, contou.
Em outra ocasião, ele escapou de um bombardeio que matou dezenas de pessoas porque havia sido transferido de região pouco antes do ataque. “Se eu não tivesse sido transferido a tempo, estaria morto agora”, afirmou.
O contrato militar prevê um mês de férias, período em que Moita pretende retornar ao Brasil entre novembro e dezembro. Depois disso, ele decidirá se encerra o vínculo com as Forças Armadas ucranianas ou permanece no Exército pelos três anos previstos em contrato. “Não sei o que vai acontecer daqui para frente”, concluiu.















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