
Projeção 3D da arena multiuso no Canindé proposta pela Revee Real Estate (Foto: Instagram)
O Banco Master forneceu um financiamento de R$ 458 milhões à Revee Real State, empresa integrante do grupo que formou a SAF da Portuguesa e que prometia renovar o estádio do Canindé. A Revee também planejava adquirir dívidas para controlar estádios como a Arena Fonte Nova, em Salvador (BA), e a Arena das Dunas, em Natal (RN), sem nunca detalhar a origem dos recursos.
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A informação sobre o financiamento está em uma planilha enviada à Justiça pelo liquidante do Banco Master em um processo que busca bloquear os bens de Henrique Vorcaro, pai do banqueiro Daniel Vorcaro, alegando que a família usava empréstimos para retirar dinheiro do banco e transferi-lo para si.
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A planilha detalha um crédito tomado em 22 de março de 2024 pela Revee State SA, com prazo de pagamento até 2029. Em 15 de agosto de 2025, o crédito foi cedido por R$ 600 milhões ao fundo Máxima FIM Crédito Privado 2. Segundo o liquidante do Master, a operação incluiu um suposto pagamento de R$ 2,9 bilhões pelo Máxima ao Master para adquirir cinco CCBs, incluindo da Revee. A iFLY Brazil, que oferece paraquedismo indoor, também aparece como tomadora. A Revee detém a marca iFLY.
Oito dias após a operação de R$ 2,9 bilhões, a Operação Carbono Oculto foi deflagrada, atingindo severamente a gestora e a Revee, que tinha João Carlos Mansur, dono da Reag, como presidente do conselho de administração e um dos principais alvos da operação.
O QUE FAZ A REVEE
Além de anunciar a reforma do Canindé, a Revee possui concessões de equipamentos públicos em Araraquara (SP), Recife (PE) e Belo Horizonte (MG), e anunciou a compra de um clube da segunda divisão do futebol português. Antes de ser alvo da Carbono Oculto, prometia construir uma arena multiuso no Anhembi, em São Paulo, em parceria com a GL Events.
Mansur convidou Luis Davantel, ex-executivo do Allianz, para ser o CEO da Revee, com a ideia de replicar o modelo de sucesso, gerenciando outros complexos esportivos e culturais. O primeiro a ser gerido foi o complexo "Arena Fonte Luminosa", em Araraquara (SP), que inclui o estádio homônimo, o ginásio Gigantão e um centro de eventos.
A Reag assumiu a gestão do financiamento da Neo Química Arena, enquanto a Revee buscava influenciar a gestão de arenas adquirindo dívidas de construtoras. Em 2023, comprou parte da dívida da Arena do Grêmio, vendendo-a no ano seguinte por R$ 80 milhões, o dobro do preço de compra. O plano era fazer o mesmo com a Arena Fonte Nova e a Arena das Dunas.
Em Recife, a Revee venceu a concessão do ginásio Geraldão por 35 anos, em um contrato de R$ 209 milhões. Em Minas Gerais, assumiu a concessão da Serraria Souza Pinto por 20 anos, a partir de 2024, comprometendo-se com R$ 7 milhões em investimentos.
Em São Paulo, a Revee faz parte do contrato que originou a Portuguesa SAF. O estádio do Canindé seria transformado em uma arena para 50 mil pessoas. A Revee também foi encarregada pela GL Events de construir uma arena multiuso no Anhembi. Os dois projetos custariam R$ 1 bilhão.
Com o Canindé "fechado para reforma" e a obra do Anhembi aprovada, a Revee foi lançada na B3 em maio, com ações que subiram de R$ 6 para mais de R$ 30 após aumento de capital social. Após a Operação Carbono Oculto, o preço das ações caiu para menos de R$ 3.
Desde então, a operação da Revee tem se deteriorado. Davantel renunciou aos cargos de vice-presidente do Conselho de Administração e de diretor presidente. Lucas Dias Trevisan, seu substituto, também renunciou no final do ano.






