Ator que trabalhava com Marco Furlan revela reação ao saber da prisão e diz se percebeu sinais

Publicao por

O ator Kiko Pissolato comentou pela primeira vez a prisão de Marco Furlan, investigado por suspeita de estuprar uma criança de 5 anos durante uma festa de aniversário em Pindamonhangaba, no interior de São Paulo. Em entrevista ao g1, ele afirmou que trabalhou com Furlan durante cerca de uma década e que jamais percebeu qualquer comportamento que indicasse um crime dessa natureza.

Segundo Pissolato, os dois se conheceram em 2007, durante a montagem da peça Tristão e Isolda, no Teatro do SESI, em São Paulo, dirigida por Vladimir Capella. Posteriormente, voltaram a atuar juntos em O Colecionador de Crepúsculos e O Meu Amigo Pintor. O último trabalho em comum ocorreu por volta de 2017.

O ator contou que recebeu as primeiras informações sobre o caso enquanto trabalhava em um teatro. “Eu estava no teatro, montando o cenário, quando minha esposa me encaminhou as primeiras notícias. Naquele momento, ainda eram informações iniciais, mas já foi o suficiente para me deixar completamente em choque”, disse.

À medida que buscou mais detalhes sobre a investigação, disse que o impacto aumentou: “Primeiro veio o espanto. Depois, uma sensação parecida com um luto. Não porque alguém tivesse morrido, mas porque a imagem que eu tinha daquela pessoa deixou de existir”.

++ Inmet emite alertas de vendaval para 11 estados brasileiros; veja detalhes

Pissolato ressaltou que a relação entre os dois sempre foi predominantemente profissional e que nunca houve uma convivência íntima, embora mantivessem contato em eventos e estreias.

Ao ser questionado se, olhando para o passado, identificava algum comportamento que pudesse ser interpretado como um sinal de alerta, ele respondeu que não. “É inevitável que, depois de uma notícia como essa, a gente volte mentalmente à convivência e tente encontrar algum sinal que pudesse explicar o que aconteceu. Eu também fiz esse exercício. Mas, sendo muito honesto, eu não consigo dizer que havia comportamentos que indicassem um crime dessa natureza”, afirmou.

O ator afirmou que o episódio o levou a refletir sobre questões mais amplas relacionadas à educação dos homens, mas ponderou que isso não pode ser confundido com o crime investigado.

++ Ministro José Guimarães promete à Janja buscar apoio de Hugo Motta para PL da Misoginia

Para ele, uma das principais lições deixadas pelo caso é que esse tipo de violência pode ser cometido por pessoas que aparentam levar uma vida comum. “O que esse episódio me ensinou é que crimes como esse não podem ser reduzidos à ideia de que ‘o monstro tem um rosto específico’. Muitas vezes, quem comete uma violência grave consegue manter uma aparência de normalidade. Isso torna tudo ainda mais perturbador”, expressou.

Kiko Pissolato também afirmou que não procurou Marco Furlan após a prisão e que não pretende entrar em contato com ele. “Eu não conversei com ele e também não pretendo conversar. A sensação que tive foi a de que a pessoa que eu conhecia deixou de existir. Diante da gravidade do que aconteceu, eu realmente não vejo o que haveria para ser dito”, declarou.

Ao recordar sua reação inicial, o ator afirmou: “Meu primeiro impulso foi o de muitas pessoas: parar de seguir, apagar fotos, tentar me afastar de qualquer vínculo. Existe um sentimento de choque, de impotência e até de vergonha por pensar que alguém com quem você conviveu durante tantos anos pudesse esconder algo tão grave sem que você jamais imaginasse”.