
Vereadora Delegada Tathiana Guzella durante sessão na Câmara de Curitiba em 05/08/2026. (Foto: Instagram)
O Ministério Público do Paraná (MPPR) denunciou, na quinta-feira (6/8), a vereadora de Curitiba Delegada Tathiana Guzella (PL) por discriminação ou preconceito de origem nacional contra a vereadora Vanda de Assis (PT).
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A denúncia se baseia em uma declaração feita durante uma sessão na quarta-feira (5/8), na qual Guzella questionou a petista, natural de Campos Sales (CE), sobre o motivo de ter deixado seu estado de origem.
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Durante a discussão de um projeto para criar uma Política de Cadastro Municipal de Pessoas em Situação de Rua, Vanda usou a tribuna para apoiar a proposta. Em seguida, Guzella pediu a palavra e criticou a atuação política da colega.
“Vereadora, você é de Campos Sales, no Ceará?”, indagou Guzella.
Após Vanda confirmar sua origem cearense, a vereadora do PL continuou: “Se a senhora gosta tanto de elogiar o PT, a atuação do PT, dos partidos correlatos ao PT. Por que a senhora não volta para o Ceará? Por que a senhora veio para cá? A senhora nasceu lá, mas veio encher o saco aqui.”
Para o Ministério Público, as declarações tinham a intenção de ofender, humilhar e menosprezar não apenas Vanda de Assis, mas também a população cearense como um todo.
O MPPR também solicitou que Guzella seja condenada a pagar 20 salários mínimos à colega como indenização por danos morais, valor estimado em R$ 32.420. Além disso, pediu uma indenização por dano moral coletivo de 40 salários mínimos, em torno de R$ 64.840, a ser destinada ao Fundo Estadual de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (FUNDEPPIR).
Em nota, Guzella expressou surpresa com a denúncia e reafirmou sua inocência, alegando que não teve a chance de esclarecer os fatos antes da acusação.
Segundo a vereadora, sua fala foi interrompida antes de concluir o raciocínio e não teve intenção xenofóbica. Ela afirmou que seu objetivo era meramente político, para refutar argumentos do projeto de lei em discussão.
Após a declaração da colega, Vanda de Assis classificou a fala como xenofóbica. O vereador Leonidas Dias (Podemos), que presidia a sessão, interrompeu Guzella e desligou seu microfone, permitindo que ela retomasse a palavra posteriormente.
Vanda afirmou que a declaração configurava xenofobia e que tomaria medidas. “Essa prática de dizer: ‘Por que você não volta para a sua cidade? Por que você veio para cá?’ é xenofobia, e xenofobia é crime, vereadora”, declarou.
A petista ressaltou que não aceitaria manifestações xenofóbicas contra ela ou outras pessoas que escolheram viver em Curitiba. “Eu sou a primeira vereadora nordestina eleita em Curitiba e vou combater a xenofobia”, afirmou.






