Cientistas utilizam alface e tabaco para desenvolver carne vegetal como alternativa sustentável

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Alface e tabaco transgênicos produzem mioglobina para “carne” vegetal (Foto: Instagram)

Pesquisadores de universidades na Inglaterra, Estados Unidos e China estão explorando o uso de alface e tabaco para criar uma "carne" à base de plantas, com o objetivo de encontrar soluções que diminuam o consumo de carne animal.

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Um estudo divulgado na quinta-feira (6/8) pela revista Frontiers in Plant Science destaca a necessidade de alternativas à proteína animal, cuja produção demanda grandes áreas de terra, água doce e resulta em emissões significativas de metano e óxido nitroso, contribuindo para o aquecimento global.

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Diante disso, o mercado global já movimenta bilhões anualmente em alternativas à carne, com crescimento projetado para a próxima década. Os cientistas utilizam engenharia microbiana em biorreatores para criar produtos vegetais.

Entre as alternativas, a mioglobina, uma proteína presente nos músculos de vertebrados, rica em ferro e com características de sabor e cor da carne, está sendo produzida. Os pesquisadores clonaram genes de mioglobina de porcos e bovinos e os inseriram em cloroplastos de tabaco e alface.

Os resultados mostraram que as plantas integraram o gene clonado em seu genoma, cresceram, floresceram e produziram sementes transgênicas. A experiência também foi realizada em cloroplastos da alga Chlamydomonas reinhardtii.

A escolha do tabaco se deve à sua aptidão para o desenvolvimento tecnológico, enquanto a alface é uma cultura comestível aplicável à produção de alimentos. A inserção em cloroplastos mostrou-se mais eficaz para a produção de proteína do que no núcleo celular.

As medições indicaram um rendimento de mioglobina de cerca de 800 mg/kg no tabaco e 810 mg/kg na alface, volumes superiores aos obtidos no genoma nuclear, mas ainda menores que na carne animal. Apesar disso, a carne vegetal consome menos recursos e pode superar a produção animal em proteína por hectare.

Para futura comercialização, a mioglobina poderá ser extraída e purificada das folhas para enriquecer produtos vegetais em sabor, cor e valor nutricional.

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