
Mulheres definem eleição e rejeitam Flávio Bolsonaro, mostram pesquisas (Foto: Instagram)
As mulheres, que representam 52,8% do eleitorado, são determinantes nas eleições. Isso é favorável ao presidente Lula, que vê sua aprovação aumentar graças a elas, mas desfavorável para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), rejeitado por 54% das mulheres segundo a pesquisa Genial/Quaest. A reversão desse quadro parece improvável.
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Flávio Bolsonaro deve sua carreira política ao sobrenome, mas também carrega o peso do machismo e misoginia do pai, que ele nunca repudiou. Ele tem uma visão antiquada sobre o papel das mulheres, que ele vê como cuidadoras e não como protagonistas.
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Durante o anúncio do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como vice em sua chapa, Flávio fez um comentário que revela sua visão sobre as mulheres: "Eu fiz duas filhas exatamente para isso. Quando eu ficar velhinho, eu vou ter quem vai tomar conta de mim." Para ele, as mulheres são sensíveis e sentimentais, mas não competentes ou independentes.
Sem uma vice mulher, Flávio esperava que a presença de Michelle Bolsonaro no evento compensasse. No entanto, Michelle, que já havia faltado à convenção que oficializou sua candidatura ao Senado, não compareceu novamente.
Após um vídeo em que Michelle afirmou ter sido maltratada por Flávio, a campanha dele tentou reparar a situação com uma cena de reconciliação nas redes sociais. Apesar de aceitar as desculpas, Michelle não quis se encontrar com Flávio pessoalmente. No domingo, ela postou uma foto em um hospital devido a uma enxaqueca e, na quarta, ficou em casa para cozinhar para o marido.
A ausência de Michelle foi justificada pela senadora Damares Alves (Republicanos-DF), que relembrou a defesa de Michelle em 2025 sobre a "submissão saudável" das mulheres aos maridos. Flávio e Michelle parecem concordar em relegar as mulheres a um papel secundário.
A dificuldade dos Bolsonaros com o eleitorado feminino é crescente. Flávio, que sempre menciona o pai em seus discursos, não pode reclamar de ser associado às declarações controversas de Jair Bolsonaro.
As declarações de Jair Bolsonaro, como a agressão verbal à deputada Maria do Rosário (PT-RS) e sua visão sobre o turismo sexual, consolidaram sua imagem de anti-mulher. Ele também fez comentários discriminatórios sobre cor, como na resposta a Preta Gil sobre a possibilidade de um filho se apaixonar por uma negra.
Nas eleições de 2022, Lula teve uma vantagem de 10 pontos sobre Jair entre as mulheres, o que garantiu sua vitória apertada. Atualmente, 52% das mulheres aprovam o governo Lula, um aumento significativo desde abril. Se as eleições ocorressem hoje, Lula venceria Flávio com uma vantagem de 5 pontos percentuais, sendo que entre as mulheres a vantagem seria de 12 pontos.
Recentemente, Paulo Figueiredo, amigo de Flávio, causou polêmica ao afirmar que "mulher não sabe votar", principalmente as solteiras. Ele argumentou que mulheres casadas tendem a seguir o voto do marido, enquanto as solteiras não.
Diante de tantas declarações controversas, o comentário de Figueiredo de que "mulheres tendem a votar na esquerda" faz sentido.
Mary Zaidan é jornalista






