
Giliard Vidal e Bruna Duarte em confraternização antes da apreensão do Mercedes-Benz GLC 300 (Foto: Instagram)
Um veículo Mercedes-Benz GLC 300 registrado em nome de Deolane Bezerra foi apreendido pela Polícia Militar na madrugada de domingo (9/8) na Avenida Salim Farah Maluf, próximo ao Anália Franco, na zona leste de São Paulo. O carro, avaliado em pelo menos R$ 260 mil, estava sendo dirigido por Giliard Vidal dos Santos, filho mais velho da influenciadora e advogada. Bruna Duarte, namorada de Giliard, também estava no automóvel.
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De acordo com o 21º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), uma equipe estava em patrulhamento quando recebeu um alerta sobre uma possível atividade criminosa envolvendo o veículo, datada de 8 de julho deste ano, período em que Deolane já estava detida.
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Os policiais abordaram o Mercedes e descobriram que havia um mandado de busca e apreensão emitido pelo delegado Edmar Rogério Dias Caparroz, do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) de Presidente Venceslau. Essa investigação levou à prisão da influenciadora devido a suas conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
Ao consultar o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), verificou-se que Giliard possui antecedentes por adulteração de sinal identificador de veículos e ameaça. No entanto, ele não é alvo de mandado de prisão e foi liberado.
A ocorrência foi registrada no 42º Distrito Policial (DP), localizado no Parque São Lucas.
A polícia chegou a Deolane por meio de Everton de Souza, conhecido como "Player" ou "Temer", identificado como um operador financeiro do PCC. Ele seria responsável pela gestão de bens e fluxos financeiros para a facção, especificamente para Marcola e Alejandro.
A ligação entre Everton e Deolane Bezerra Santos é central para a investigação, sendo crucial para demonstrar a participação da advogada na lavagem de dinheiro da facção, segundo a polícia.
Everton atuava como gestor indireto da Lopes Lemos Transportadora, uma empresa de fachada criada a pedido de Marcola e Alejandro, da qual recebeu R$ 28,7 mil em transferências bancárias. Ele orientava o sócio-administrador a fazer depósitos nas contas de Deolane, que faziam parte do "balancete" da facção, sem origem justificada.
Batizada de Operação Vérnix, a ação cumpre seis mandados de prisão preventiva, além de ordens de busca e apreensão. As investigações indicam um esquema sofisticado de ocultação de patrimônio, utilizando empresas e terceiros para movimentar recursos ligados à facção criminosa. Uma transportadora de cargas em Presidente Venceslau teria sido usada para lavar dinheiro da família de Marcola.
Os investigadores afirmam que Deolane recebeu depósitos suspeitos entre 2018 e 2021. Em operação de 2021, a polícia encontrou no celular do sócio-administrador comprovantes de transferências para Deolane, totalizando R$ 24,5 mil entre agosto e outubro de 2020. A defesa afirma que o valor foi pago por serviços advocatícios.
Além disso, mais de R$ 1 milhão em depósitos em espécie foram identificados nas contas de Deolane entre 2018 e 2021, sem origem clara. A defesa alega que o montante se refere ao trabalho como advogada.
Deolane também aparece como representante legal de Everton em registros policiais e como testemunha em ocorrências em que ele é a vítima. Everton declarou em interrogatório que alugava um apartamento de Deolane no Tatuapé por R$ 5 mil mensais.
Depoimentos de ex-integrantes da facção e registros em redes sociais sugerem uma amizade próxima entre Deolane e Everton, com presença dele em eventos familiares da advogada.
A investigação começou em 2019, quando bilhetes foram apreendidos com detentos da Penitenciária II de Presidente Venceslau, revelando elementos sobre a dinâmica do PCC. Uma "mulher da transportadora" foi mencionada, levando à segunda fase da investigação.
A Operação Lado a Lado, deflagrada em 2021, revelou a transportadora como braço financeiro do PCC, com movimentações financeiras suspeitas e crescimento econômico sem justificativa.
Durante a operação, um celular com indícios de repasses para Deolane foi apreendido, além de vínculos estreitos com um dos gestores fantasmas da transportadora. Deolane passou a ser figura central no caso, devido a movimentações financeiras expressivas e indícios de ligação com o PCC.






