
Destruição em cidade colombiana após terremoto de magnitude 7,4 (Foto: Instagram)
O intenso terremoto que abalou a Colômbia nesta segunda-feira (10/8) faz parte de uma série de grandes tremores observados em várias partes do mundo nos últimos meses. Apesar de a concentração de eventos ser notável, não existem indícios de um aumento anormal na atividade sísmica global.
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De acordo com Susanne Maciel, professora do programa de pós-graduação em geociências na Universidade de Brasília (UnB), com apoio do Instituto Serrapilheira, aproximadamente nove terremotos com magnitude igual ou superior a 7 foram registrados entre março e agosto.
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“Não possuímos dados suficientes para afirmar que estamos enfrentando uma anomalia. Não há evidências de um aumento na atividade tectônica”, explica.
POR QUE TANTOS TERREMOTOS EM POUCO TEMPO?
Os terremotos não ocorrem em intervalos regulares. Em certos períodos, múltiplos eventos significativos podem acontecer próximos uns dos outros sem uma conexão direta.
Susanne esclarece que os grandes tremores deste ano ocorreram em contextos tectônicos variados, tornando improvável que estejam interligados ou que tenham uma causa global comum.
Uma análise de 2011 realizada por Andrew Michael, do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS), reforça essa explicação. Ele revisou dados de terremotos de magnitude igual ou superior a 7 desde 1900, concluindo que a concentração de grandes tremores em certos períodos pode ser atribuída à variação aleatória natural da atividade sísmica.
“Esses agrupamentos de terremotos de grande magnitude não têm uma explicação física, mas são esperados devido ao processo estatístico”, afirma Susanne.
POR QUE O TERREMOTO DA COLÔMBIA FOI TÃO FORTE?
O terremoto de segunda-feira, com magnitude 7,4, atingiu o oeste da Colômbia a uma profundidade aproximada de 110 quilômetros, o que justifica seu alcance.
Tremores mais superficiais de mesma magnitude tendem a causar impactos mais intensos perto do epicentro. Em profundidades maiores, parte das ondas de alta frequência perde força antes de atingir a superfície, mas o tremor pode ser sentido em áreas mais distantes.
Susanne menciona que o evento está relacionado à zona de subducção da placa de Nazca, que se insere sob a placa Sul-Americana. A área é conhecida por sua atividade sísmica. “Esperamos terremotos nessa região, mas de magnitude tão alta são relativamente raros”, comenta.
Desde 1950, apenas dois terremotos com magnitude superior a 7 ocorreram em um raio de 250 quilômetros do local do tremor de segunda-feira.
NOVOS TREMORES PODEM ACONTECER
Como o terremoto é recente, dados sobre magnitude, mecanismo de ruptura e sequência sísmica podem ser atualizados nos próximos dias. Réplicas, ou aftershocks, também podem ocorrer, associadas ao reajuste da área afetada.
Após um grande terremoto, a chance de novos tremores aumenta temporariamente naquela região. No entanto, isso não implica em um aumento global no risco de terremotos.
Atualmente, a ciência consegue identificar regiões onde grandes terremotos são mais prováveis, especialmente áreas próximas aos limites das placas tectônicas. A costa oeste da América do Sul é uma dessas áreas devido à interação entre as placas de Nazca e Sul-Americana.
A previsão exata de quando um terremoto ocorrerá, sua magnitude e localização precisa ainda não é possível.
“Existem áreas mais propensas a grandes terremotos, o que podemos prever com estudos geológicos”, explica Susanne. Quanto ao momento exato, a especialista destaca: “Não temos como prever quando esses terremotos vão ocorrer”.






