
Equipes de resgate vasculham escombros após terremoto de 7,4 na Colômbia (Foto: Instagram)
Abelardo de la Espriella, recém-empossado presidente da Colômbia, enfrenta uma crise humanitária logo no início de seu mandato. Três dias após assumir o cargo, na sexta-feira (7/8), um terremoto de magnitude 7,4 atingiu o país na segunda-feira (10/8), resultando em pelo menos 132 mortes, 570 feridos e danos em várias regiões.
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De la Espriella chegou à Presidência com promessas de reduzir o tamanho do Estado e controlar as finanças públicas. Contudo, a tragédia obrigou a uma imediata mudança de prioridades. Relatórios iniciais indicam que 61 edifícios e 37 residências foram destruídos, além de 18 hospitais, 52 centros educacionais, sete aeroportos e 1,5 mil casas terem sofrido danos parciais, demandando um significativo investimento para a reconstrução.
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Ainda na segunda-feira, Espriella convocou um comitê de emergência para coordenar as ações nas áreas afetadas. O governo adotou medidas excepcionais para lidar com o desastre, mobilizando equipes para avaliar estruturas danificadas, localizar vítimas e fornecer assistência à população.
O presidente também apelou por unidade nacional diante da tragédia. “Meu apelo hoje é pela unidade inabalável da nação”, declarou.
A emergência surge em um contexto de dificuldades fiscais na Colômbia. Durante sua campanha, De la Espriella defendeu a contenção de gastos e o enfrentamento do déficit público. Em 2025, o déficit fiscal colombiano atingiu 6,4% do PIB, com previsão de aumento para 7,8% neste ano.
O terremoto também impactou uma já debilitada estrutura de saúde. Hospitais próximos ao epicentro foram afetados, reduzindo a capacidade de atendimento em uma das regiões que mais necessitam de ajuda emergencial.
Para o cientista político Gustavo Menon, a prioridade do governo deve ser o resgate de pessoas sob escombros, assistência humanitária às famílias afetadas e recuperação de hospitais, estradas, escolas e outros serviços essenciais.
O epicentro do terremoto foi em Chocó, uma região no oeste da Colômbia com histórico de dificuldades de acesso e presença de grupos armados. Comunidades locais enfrentam infraestrutura precária e, em alguns casos, dependem de vias marítimas por falta de estradas adequadas.
A região também é palco de disputas entre grupos como o Exército de Libertação Nacional (ELN) e o Clã do Golfo, o que pode complicar o deslocamento de equipes de emergência e o atendimento às comunidades afetadas.
A dimensão do desastre gerou manifestações de solidariedade de outros governos. Líderes da América Latina, como o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, expressaram apoio à Colômbia.
O governo de Donald Trump, que apoiou Espriella, anunciou um pacote de US$ 15,5 milhões para abrigo de emergência, alimentos e proteção. “Estamos unidos em oração com o povo colombiano e prontos para apoiar o Presidente @ABDELAESPRIELLA e seu governo enquanto avaliam as necessidades no terreno”, afirmou o Departamento de Estado.
A resposta ao terremoto testa uma das principais promessas de De la Espriella: descentralizar o governo e estar mais próximo das regiões fora da capital. Antes da posse, ele anunciou que passaria parte de sua agenda fora de Bogotá para acompanhar de perto as demandas da população.
“O terremoto evidencia a urgência de políticas públicas permanentes de prevenção de riscos, ordenamento territorial e proteção social na América Latina”, afirmou Menon.






