Médica que se negou dar alta a pacientes petistas no 1º turno se manifesta

Publicado por

–

A médica Marcella Segato de Sousa Melo, demitida do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, em Goiânia (GO), após sugerir que pacientes identificados como eleitores do PT não recebessem alta hospitalar, pediu desculpas pela mensagem enviada a um grupo de profissionais de saúde. A declaração foi divulgada após a repercussão do caso, que também foi levado ao Ministério Público Federal (MPF).

Em nota encaminhada à imprensa, Marcella reconheceu que o conteúdo das mensagens foi incompatível com o compromisso de sua atuação profissional. Ela, no entanto, negou que qualquer paciente tenha sido prejudicada por questões políticas durante o atendimento na unidade. “Peço desculpas às pacientes e às suas famílias, aos colegas, aos internos e ao hospital. Lamento profundamente que minhas mensagens tenham destoado do compromisso que sempre orientou minha atuação profissional”, declarou.

++ Jorginho critica expulsão por Anderson Daronco em empate do Flamengo com Santos

A médica afirmou que as mensagens não tiveram consequências práticas e que as decisões relacionadas às altas hospitalares sempre foram tomadas com base na avaliação clínica das pacientes. “Essas mensagens, porém, não se transformaram em conduta nem resultaram em procedimentos inadequados. Nenhuma paciente teve a alta atrasada ou negada. Todas foram avaliadas e liberadas exclusivamente por critérios clínicos, como sempre ocorreu”, disse.

O episódio começou na sexta-feira (2), dois dias antes do primeiro turno das eleições, quando Marcella enviou uma mensagem a um grupo de médicos sobre o atendimento previsto para o domingo de votação. “Boa sexta a todos. Quem estiver na enfermaria no domingo, não é para dar alta para ninguém, a maioria é petista”, escreveu.

A publicação recebeu reações de outros integrantes do grupo. Um deles respondeu com uma figurinha do ex-presidente Jair Bolsonaro fazendo sinal de positivo, enquanto outros 12 participantes reagiram com emojis de risada, aprovação e bandeiras do Brasil.

++ Lucas Pavanato, ex-MBL e mais votado do PL em SP, já criticou o bolsonarismo

Após a divulgação da conversa, Marcella foi desligada do Hospital Municipal da Mulher e Maternidade Célia Câmara, onde prestava serviços como profissional terceirizada. O caso também foi denunciado ao MPF.

Na manifestação pública, a médica voltou a afirmar que não houve discriminação no atendimento e defendeu o respeito às escolhas eleitorais das pacientes: “Da mesma forma, nenhuma avaliação levou em conta preferência política. O voto é secreto e deve ser respeitado, sem qualquer tipo de retaliação. Desde 2017, realizei milhares de partos de mulheres de diferentes origens e convicções. É esse compromisso que verdadeiramente orienta minha vida profissional”.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que as denúncias envolvendo a profissional são analisadas sob sigilo, conforme as regras do Código de Processo Ético-Profissional Médico.

Até o momento, não foram apresentados elementos que comprovem que pacientes tiveram a alta hospitalar efetivamente negada ou adiada por motivos políticos. A médica sustenta que a mensagem não foi colocada em prática.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *