Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, fez 151 consultas ao ChatGPT entre maio e novembro de 2025, incluindo perguntas sobre saúde, viagens, investigações e o funcionamento da Justiça brasileira. O histórico, encontrado em um iPhone apreendido pela Polícia Federal (PF), foi divulgado pela revista piauí e mostra que o empresário utilizava a ferramenta de inteligência artificial tanto para assuntos pessoais quanto para questões relacionadas ao setor financeiro, nos meses que antecederam sua primeira prisão.
Entre as pesquisas estavam dúvidas sobre o consumo de charutos, medicamentos para emagrecer e a longevidade de pessoas muito altas. Em 19 de agosto de 2025, por exemplo, Vorcaro perguntou: “Charuto engorda?”. Já em 9 de outubro, quis saber qual era a idade média de morte de pessoas de grande estatura.
O levantamento, publicado em reportagem assinada por João Batista Jr., Ana Clara Costa e Breno Pires, identificou 29 interações relacionadas à saúde e ao uso de medicamentos. O banqueiro também buscou informações sobre as diferenças entre Ozempic e Mounjaro, tratamentos para estiramento muscular e medidas a serem tomadas diante de um fechamento da glote.
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As consultas pessoais não ficaram restritas à saúde. Vorcaro pesquisou destinos internacionais para surfar, restaurantes em Miami e séries lançadas recentemente. Em junho, também procurou informações sobre a temperatura de Taormina, na Itália, para o período em que pretendia viajar.
Ao mesmo tempo, o histórico registra perguntas sobre o Banco Central e situações envolvendo outros banqueiros brasileiros. Em 30 de agosto de 2025, Vorcaro quis saber quais eram os procedimentos necessários para pedir o impeachment de um diretor da autoridade monetária. Segundo a piauí, aproximadamente 40 minutos antes ele havia enviado uma dúvida semelhante ao advogado Marcel Mascarenhas pelo WhatsApp.
No dia seguinte, o empresário pesquisou quais banqueiros brasileiros já haviam sido presos. As consultas ocorreram enquanto o Banco Master enfrentava dificuldades e buscava alternativas para continuar operando.
Em 21 de agosto, Vorcaro também havia perguntado quem integrava a diretoria do Banco Central. Um dia antes, solicitara uma audiência com Gabriel Galípolo, presidente da instituição, mas o encontro não ocorreu. De acordo com a reportagem, a secretária de Galípolo informou posteriormente que ele estava em missão no exterior.
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Naquele período, o futuro do Master estava ligado às negociações para a venda da instituição ao Banco de Brasília (BRB). A operação acabou vetada pelo Banco Central em setembro de 2025.
Outro nome que apareceu nas pesquisas foi o de Luís Octávio Índio da Costa, ex-controlador do Banco Cruzeiro do Sul. Em 4 de outubro, Vorcaro perguntou onde o empresário estava e, posteriormente, tentou descobrir onde ele morava. O ChatGPT não apresentou um endereço residencial, mas mencionou Cidreira, no Rio Grande do Sul, como localidade associada ao perfil profissional do ex-banqueiro.
Índio da Costa havia sido preso em 2012 e passou a responder a processos em liberdade. Em 2024, recebeu uma condenação de cinco anos de prisão por gestão fraudulenta, permanecendo em liberdade enquanto aguardava o trânsito em julgado, segundo a piauí.
O histórico também inclui buscas sobre a aplicação da Lei Magnitsky contra Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), além de informações sobre o volume de negociação das ações do BRB.
As últimas consultas registradas ocorreram pouco antes da prisão de Vorcaro. Na noite de 15 de novembro de 2025, ele perguntou quem eram os juízes das varas criminais de Brasília. No dia seguinte, pesquisou quais eram as varas criminais federais da capital, encerrando o histórico analisado pela revista.
Na mesma época, o empresário demonstrou preocupação em uma conversa de WhatsApp com seus advogados Marcel Mascarenhas e Walfrido Warde. Em 15 de novembro, escreveu no grupo chamado “Daniel e os Leões”: “Na iminência da solução de tudo estou percebendo comportamentos estranhos”.
Dois dias depois, em 17 de novembro, Vorcaro organizou uma viagem para Dubai em um de seus jatos particulares. As mensagens divulgadas pela piauí mostram que ele conversou com um piloto identificado como David sobre o horário da decolagem e o acesso ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Às 22h27, o banqueiro informou que estava na entrada do aeroporto e não encontrava ninguém no portão. O piloto respondeu que tentava contatar a equipe responsável pelo atendimento. Pouco depois, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal, encerrando a sequência de acontecimentos registrada nas conversas analisadas pela revista.















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