A CEO do portal Metrópoles, Lilian Tahan, teria submetido reportagens sobre o Banco Master à avaliação de Daniel Vorcaro, então proprietário da instituição financeira, antes da publicação. Segundo informações divulgadas pelo Estadão, mensagens obtidas pela Polícia Federal mostram que o banqueiro sugeria alterações em títulos e conteúdos, além de ter influenciado a decisão de não publicar uma reportagem. As conversas ocorreram ao longo de 2025, período em que o banco era investigado por suspeitas de irregularidades financeiras.
Os diálogos foram encontrados no celular de Vorcaro e revelam uma série de contatos diretos com a executiva. De acordo com o jornal, Tahan encaminhava versões de matérias ao empresário, solicitava avaliações e comunicava as mudanças realizadas. A jornalista também intermediava encontros entre Vorcaro e Luiz Estevão, ex-senador e proprietário do Metrópoles.
Em uma conversa de 2 de abril de 2025, os dois discutiram informações sobre uma possível proposta do BTG Pactual para adquirir ativos do Banco Master por R$ 1. Vorcaro contestou a notícia e afirmou: “Proposta de 1 real nunca existiu!”. Tahan respondeu: “Tiramos”.
O banqueiro também orientou a forma como o assunto deveria ser apresentado. “Mas tem que ser um jeito que nao pareça que nao tem interesse. So desmentir quem falou que tinha proposta de 1 real”, escreveu. A executiva respondeu “Deixa comigo” e, posteriormente, enviou o endereço da reportagem publicada. “Se tiver alguma incorreção, me avise!! Não tem pressa. No seu tempo. Não publicarei sem nos falarmos”, acrescentou Tahan.
As mensagens mostram que o contato se estendeu a outras reportagens sobre o banco. Em 10 de abril, a CEO encaminhou uma prévia de um texto comparando os balanços do Master e do Banco de Brasília (BRB) e perguntou a Vorcaro: “O que acha?”.
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O empresário questionou os números apresentados e sugeriu a inclusão de informações sobre carteiras de crédito vinculadas a fundos. “Carteira credito do master é maior. Pois tem que pegar as carteiras dos fundos. Vou te mandar aí”, afirmou. Ele apresentou o valor de R$ 52 bilhões, e a jornalista enviou posteriormente o link da matéria publicada com a alteração.
No dia seguinte, Tahan voltou a consultar Vorcaro antes de divulgar informações sobre uma reunião dele com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. “Alguma observação? Vou publicar!! Rs. Se tiver qualquer alteração, me diga que faço com ela no ar”, escreveu.
Outro episódio ocorreu em 27 de maio, quando a executiva apresentou uma reportagem sobre a aquisição de ativos do Master pelo BTG Pactual. O texto mencionava participações relacionadas ao Hotel Fasano, à Light, ao Pão de Açúcar e à Hapvida. Vorcaro pediu: “Pode retirar hapvida do texto?”. Tahan respondeu “Claro”, e a matéria foi publicada sem a referência à empresa.
Em julho, a interferência também alcançou uma manchete sobre a negociação de compra do Banco Master pelo BRB. Ao receber o texto, Vorcaro sugeriu: “Ao inves ultimo passo para compra, colocaria que bacen deve aprovar nos proximos dias”. A jornalista concordou e encaminhou uma nova versão, aprovada pelo banqueiro com a resposta “Ótimo”.
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A negociação entre as instituições acabou sendo rejeitada pelo Banco Central em setembro de 2025. Dois meses depois, o Banco Master foi liquidado.
Os diálogos incluem ainda um pedido de Vorcaro para reduzir a exposição de Ricardo Cappelli, então crítico da operação envolvendo o Master e o BRB e candidato ao governo do Distrito Federal pelo PSB. “Esse Cappelli, você não consegue dar uma freada essa semana? Depois ele volta!”, escreveu o empresário. Tahan respondeu: “Deixa comigo”. As mensagens, porém, não demonstram, por si só, se houve uma redução efetiva da cobertura.
Em 22 de outubro, a CEO encaminhou ao banqueiro uma reportagem sobre a possibilidade de conversão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) em ações da Oncoclínicas, após uma repactuação com o Master. Antes de publicar, perguntou: “Isso aqui te traz algum incômodo?”. “Sim! Pessoal da oncoclinicas é completamente maluco, soltou fato disso. Informação errada ainda”, respondeu Vorcaro. Tahan encerrou a conversa com a mensagem “Deixar quieto aqui”. Segundo o Estadão, a reportagem não chegou a ser publicada.
As mensagens fazem parte do material extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro, que também revelou conversas com Frederic Kachar, ex-executivo do Grupo Globo. Kachar foi desligado da empresa na quinta-feira (15), após a divulgação de diálogos com o banqueiro.















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