Eleições 2026: Candidaturas LGBT+ são apenas 2,35% do total, apesar de avanços

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Urna eletrônica com as cores da bandeira LGBT+ em destaque (Foto: Instagram)

Candidaturas de pessoas bissexuais, gays, lésbicas, trans, assexuais e pansexuais representam 2,35% do total de registros para as eleições de 2026 no Brasil, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Em nenhum dos 10 cargos em disputa neste ano – de deputado estadual a presidente – a presença de candidaturas LGBT+ se aproxima do percentual da população nacional, estimada em cerca de 9% pela Pesquisa do Orgulho, realizada pelo Datafolha em 2022.

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O TSE começou a registrar dados sobre orientação sexual e identidade de gênero a partir das eleições de 2024, quando 2% das candidaturas eram de pessoas LGBT+. Apesar do número ainda baixo, Gui Mohallem, da diretoria do Instituto Plena Cidadania, vê o percentual de 2026 como um avanço histórico.

Mohallem destaca que a sub-representação política da população LGBT resulta em consequências que vão além do simbolismo. "Perdemos a perspectiva de pessoas que vivenciaram um mundo que não foi feito para elas, conhecendo de perto barreiras, mas também criando soluções", avalia.

Ele aponta que essa experiência não se limita a pautas identitárias. No último mandato, 99% dos projetos de lei de parlamentares LGBT acompanhados pelo Instituto trataram de temas como meio ambiente, transporte, segurança e educação.

CANDIDATURAS SE CONCENTRAM NO LEGISLATIVO
Os dados da Justiça Eleitoral mostram uma forte concentração das candidaturas LGBT no Legislativo.

Das 405 candidaturas categorizadas por orientação sexual, 95% concorrem aos cargos de deputado federal, estadual ou distrital. Entre as 107 candidaturas trans, 99% estão nesses três cargos.

A centralização tem causas estruturais. “É mais fácil se eleger para o Legislativo do que para o Executivo, onde é preciso 50% + 1 dos votos. Além disso, há uma grande disputa interna nos partidos, especialmente para identidades historicamente excluídas”, explica Mohallem.

O levantamento também revelou diferenças na distribuição das candidaturas por cargo dentro da própria população LGBT. Nos cargos majoritários, as candidaturas ao governo estadual foram apenas de pessoas bissexuais, enquanto para o Senado foram de gays e lésbicas.

DESIGUALDADES DENTRO DA PRÓPRIA SIGLA
De acordo com o Instituto Plena Cidadania, um dos principais desafios enfrentados por candidaturas LGBT é o subfinanciamento. O atraso no repasse de recursos prometidos pelos partidos pode comprometer as campanhas.

“Os recursos chegam no final da campanha, quando já não é possível utilizá-los efetivamente, afetando até mesmo as prestações de contas”, afirma Mohallem.

Há também um custo emocional significativo. O programa Cuida+, oferecido pelo Instituto, identifica a violência política intrapartidária como uma queixa comum, afetando a saúde mental de quem disputa uma eleição.

Os dados de financiamento partidário indicam a dificuldade de acesso a recursos. Em 2020, os partidos destinaram, em média, 6% do teto de gastos de campanha a candidaturas LGBT, 10% em 2022 e 7% em 2024.

Em 2024, mais da metade das lideranças LGBT eleitas por partidos de centro e direita não recebeu recursos do partido. Entre as eleitas por partidos de esquerda, o índice foi de 19,8%.

A presença de estruturas internas voltadas às pautas LGBT nos partidos está associada ao desempenho eleitoral. Dos 30 partidos registrados no Brasil, 11 possuem algum tipo de organização interna para a população LGBT. Entre os cinco partidos que mais elegeram pessoas LGBT em 2024, apenas um não tinha essa estrutura.

“A existência dessas estruturas está fortemente ligada às chances de apoio partidário e sucesso eleitoral. Entre os cinco partidos que mais elegeram pessoas LGBT+ em 2024, apenas um não tinha uma célula interna LGBT+. Mas, infelizmente, ainda não temos políticas afirmativas nesse sentido”, conclui Mohallem.

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