
Perspectiva aérea do projeto de urbanização integrado de Paraisópolis, com novas moradias, equipamentos públicos e áreas verdes. (Foto: Instagram)
A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Urbanismo e Licenciamento (SMUL) e da SP Urbanismo, divulgou nesta terça-feira (18/8) o edital para a contratação integrada do Programa Nova Paraisópolis. O edital inclui a elaboração de projetos para obras de infraestrutura, habitação, saneamento básico, mobilidade e equipamentos públicos nas regiões de Paraisópolis, Jardim Colombo e Porto Seguro.
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A iniciativa de urbanização contará com um investimento estimado em cerca de R$ 2,33 bilhões, segundo a prefeitura. Aproximadamente R$ 1,67 bilhão desse montante vem do leilão de Certificados de Potencial Adicional de Construção (CEPACs) realizado em agosto de 2025.
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O objetivo da prefeitura é melhorar a infraestrutura da área, onde vivem atualmente mais de 120 mil pessoas. O planejamento inclui novos equipamentos educacionais, esportivos, CAPS e uma UPA 24 horas. O projeto pretende abrir até 17,8 quilômetros de ruas e vielas, enterrar fiações, instalar nova iluminação pública, além de realizar drenagem, saneamento e arborização.
A Prefeitura de São Paulo iniciou uma consulta pública em 2 de junho para receber sugestões sobre o projeto. Segundo o prefeito Ricardo Nunes (MDB), algumas vielas de Paraisópolis, que atualmente têm apenas 60 cm de largura, passarão a ter até 3 metros após as obras.
O lançamento do edital estava previsto para 18 de junho, mas foi publicado no site da prefeitura com dois meses de atraso. As obras serão divididas em três lotes: Porto Seguro e Jardim Colombo, Paraisópolis Noroeste e Paraisópolis Sudeste.
Cada contrato terá duração de 48 meses, a partir de sua assinatura. As obras seguirão o regime de Contratação Integrada, onde a empresa ou consórcio contratado será responsável pelo desenvolvimento dos projetos básicos e executivos e pela execução das intervenções.
A licitação seguirá o critério de melhor combinação de técnica e preço, considerando a experiência das empresas e das equipes, além do conhecimento das características urbanísticas e sociais de Paraisópolis e as estratégias para execução das obras em um território densamente ocupado.
Paraisópolis, localizada na zona sul de São Paulo, é uma das maiores favelas da capital paulista. O projeto de urbanização visa reassentar cerca de 3 mil famílias, o que tem gerado preocupações entre os moradores sobre a possibilidade de expulsão com o início das obras.
Na área habitacional, a prefeitura planeja concluir os empreendimentos Sanfona e Vila Andrade, totalizando 812 unidades habitacionais. Em fases futuras, o programa prevê a construção de 2.000 novas moradias, priorizando famílias que vivem em áreas de risco.
A gestão municipal busca garantir a permanência das famílias no próprio território. O edital exige que as empresas apresentem estratégias de faseamento das obras, articuladas às etapas de remoção, liberação de áreas e reassentamento, para minimizar deslocamentos fora de Paraisópolis.
Na infraestrutura urbana e mobilidade, uma das principais intervenções será a extensão da Avenida Hebe Camargo, ligando Paraisópolis à Estação São Paulo-Morumbi do Metrô. A expectativa é reduzir o tempo de deslocamento dos moradores de cerca de 45 para 15 minutos.
Serão requalificados 40,9 quilômetros de ruas e vielas, com enterramento da rede aérea, arborização e melhorias nas condições de circulação, ventilação urbana e saneamento. O programa também prevê a instalação de redes de água tratada e esgoto para cerca de 33,2 mil famílias, a conclusão da canalização dos córregos Antonico e Itararé e a criação de dois parques lineares.
Na frente de equipamentos públicos, está prevista a construção ou reforma de unidades em todo o Complexo Paraisópolis. O complexo de saúde na Avenida Hebe Camargo será ampliado com uma UPA 24 horas e um novo CAPS, além da reforma das UBSs existentes.
Na educação, serão implantadas duas Escolas Municipais de Ensino Fundamental (EMEFs) e três Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs). O programa também prevê um Centro Esportivo e Educacional de cerca de 16 mil metros quadrados, com piscina olímpica, quadras poliesportivas e áreas para atividades educacionais.
Na área de cultura, lazer e desenvolvimento social, será implantado um polo cultural, esportivo e ambiental no setor do Grotão e da Praça da Paz, integrando equipamentos públicos, organizações da sociedade civil e um Centro de Oportunidades voltado ao empreendedorismo e à qualificação profissional.
No Jardim Colombo, será construído um Complexo Multiuso, com centro cultural, centro esportivo, unidade de educação infantil e praça pública. O programa também prevê um Armazém Solidário, oferecendo alimentos com desconto para famílias cadastradas no CadÚnico.
Além das obras, os projetos devem incorporar critérios de sustentabilidade, ampliação de áreas verdes, soluções baseadas na natureza e tecnologias construtivas mais eficientes, promovendo uma transformação urbana integrada e mais resiliente às mudanças climáticas.
VEJA O CRONOGRAMA INICIAL DA URBANIZAÇÃO:
18 de junho: Publicação do edital de licitação
- A prefeitura pretende lançar oficialmente o documento com todas as regras, exigências e prazos do projeto nesta data.
- O mercado toma conhecimento da obra e as empresas começam a analisar se cumprem os requisitos.
21 de agosto: Apresentação das propostas
- Prazo final para que as empresas interessadas entreguem toda a documentação e os envelopes com os projetos.
- A prefeitura recebe formalmente os participantes que desejam concorrer ao contrato.
28 de agosto: Resultado das propostas recebidas
- Divulgação da análise inicial dos documentos entregues pelas concorrentes.
- A prefeitura anuncia quais empresas foram habilitadas (aprovadas) e quais foram desclassificadas nesta primeira fase.
31 de agosto: Abertura do processo de proposta comercial
- Início da fase de concorrência de preços entre as empresas que foram habilitadas.
8 de setembro: Divulgação da empresa vencedora
- Anúncio oficial da empresa que venceu a disputa comercial e cumpriu todas as exigências legais.
15 de setembro: Autorização para início da obra
- A assinatura da autorização que permite a empresa contratada mobilizar suas equipes e máquinas.
- As obras podem começar oficialmente a partir desta data.
*Com o atraso do lançamento do edital, as outras datas também devem ser alteradas.







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