Canil do Senado opera sem registro no CRMV, revela investigação

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Veterinária Vitória Valle e cão pastor-belga-malinois no canil do Senado Federal (Foto: Instagram)

O Canil do Senado Federal não possui registro no Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV), conforme apurado em levantamento documental realizado pelo órgão após a morte da médica veterinária Vitória Valle de Oliveira Pinha, de 36 anos, que foi atacada por um dos cães mantidos pela instituição.

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A falta de registro é a primeira irregularidade confirmada pelo conselho, que continua investigando outros aspectos relacionados à operação do canil. A fiscalização do Conselho começou no dia do ataque, em 18 de agosto, mas os fiscais não conseguiram acessar o local devido ao isolamento feito pela Polícia Civil do DF (PCDF). Sem acesso físico, o CRMV iniciou uma investigação documental e constatou a ausência de cadastro do canil.

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Essa irregularidade infringe a Resolução nº 1.177 do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFVM), em vigor desde janeiro de 2018, que exige que canis, gatis e abrigos sejam registrados nos sistemas dos Conselhos.

Antes do acidente fatal com a veterinária Vitória Valle, a Comissão de Proteção e Defesa dos Direitos dos Animais da OAB-DF já havia recebido uma denúncia de maus-tratos relacionados às condições do canil do Senado. A comissão declarou que pretende acompanhar o caso e solicitar informações ao Senado sobre as condições de abrigo e treinamento dos cães.

O incidente envolveu um cão da raça pastor-belga-malinois do Serviço de Cinotecnia do Senado Federal. Vitória trabalhava para uma empresa terceirizada responsável pelo cuidado dos animais. A veterinária faleceu no sábado, 22 de agosto.

A vítima foi atacada enquanto desempenhava suas funções no canil e recebeu atendimento médico, mas sofreu uma parada cardíaca, com uma lesão grave na artéria do pescoço e parte da coluna exposta.

O Senado Federal, por meio de nota, afirmou que a profissional recebeu atendimento imediato e que a instituição está acompanhando o caso, oferecendo suporte à vítima e à sua família.

Após o ataque, um colega de trabalho encontrou o cão solto no canil. O policial conseguiu conter o animal e colocá-lo em uma caixa, encontrando Vitória gravemente ferida em seguida. Os primeiros socorros foram iniciados com a ajuda de outros colegas, que tentaram conter o sangramento.

A ocorrência foi registrada pela 5ª Delegacia de Polícia como "omissão de cautela na guarda ou condução de animais". A perícia foi acionada para examinar o local, e os policiais estão colhendo depoimentos de testemunhas para esclarecer a dinâmica do ataque.

A investigação irá determinar as circunstâncias em que o cão estava solto, como ocorreu o ataque e se houve falha na guarda ou condução do animal. A principal linha de investigação é de que se trata de um acidente de trabalho.

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