Professor de música no DF transforma estúdio em local de abuso sexual

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Ozéas Leite Camelo durante cumprimento de mandado de prisão em Samambaia (Foto: Instagram)

A suavidade dos acordes bem tocados era ouvida por quem passava em frente a um famoso estúdio de música em Samambaia. No centro desse ambiente de prestígio e aparente dedicação cultural estava Ozéas Leite Camelo, de 49 anos, um homem de fala mansa e tido como referência no ensino instrumental da região. No entanto, por trás dessa imagem respeitável, escondia-se um predador sexual.

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A máscara caiu nesta segunda-feira (24/8), quando investigadores da 32ª Delegacia de Polícia (Samambaia) entraram no local para cumprir um mandado de prisão preventiva. No momento da prisão, Ozéas ministrava calmamente uma aula de música para uma criança, o que ilustra a frieza do investigado.

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Ozéas criou um método cruel para capturar suas vítimas. Aproveitando-se da confiança que os pais depositavam nele para o desenvolvimento cultural de seus filhos, o professor isolava as alunas nas salas de ensaio do estúdio. A coluna Na Mira teve acesso a detalhes exclusivos sobre o padrão de ataque do criminoso sexual.

TERROR PARALISANTE
O modus operandi era discreto e progressivo. Alegando que precisava ajudar as jovens em exercícios de respiração, diafragma e postura corporal, Ozéas ultrapassava os limites do contato físico profissional.

O toque guiado transformava-se, gradualmente, em importunação sexual e, no auge do pesadelo, em violência. A investigação revelou que o criminoso era especialista em amedrontar. Ele não apenas violentava; ele envolvia a vítima de tal forma que a pessoa se sentia completamente sem saída, encurralada por um terror psicológico contínuo e paralisante.

O caso mais chocante revelado pela 32ª DP envolve uma adolescente de apenas 16 anos. A jovem tornou-se uma verdadeira refém emocional e física dentro do estúdio, que deveria ser seu refúgio de aprendizado. Sob forte coação moral e física, a vítima foi estuprada dez vezes consecutivas ao longo de semanas.

VIOLÊNCIA GRAVADA
A perversidade do predador não se limitava ao abuso físico direto. A perícia técnica realizada pelo Instituto de Criminalística (IC) e pelo Instituto de Identificação (II) da PCDF confirmou a obsessão criminosa do professor. O investigado mantinha, no interior do estúdio, equipamentos de gravação estrategicamente ocultos.

Por meio desses dispositivos camuflados, o professor registrava secretamente imagens de mulheres e alunas em situações de nudez total ou parcial, sem qualquer tipo de conhecimento ou consentimento. A análise pericial efetuada nos dispositivos eletrônicos e no telefone celular do autor confirmou a presença desse acervo clandestino.

Através dessas gravações íntimas, a Polícia Civil conseguiu identificar diversas outras vítimas que frequentaram o local. Em alguns casos, as apurações indicaram que a aproximação parecia consensual à primeira vista, contudo, a privacidade das vítimas era brutalmente violada pela captação ilegal de suas intimidades para a satisfação do criminoso.

INVESTIGAÇÃO MINUCIOSA
O inquérito da 32ª DP indiciou Ozéas com base em vasta prova pericial e oral. O acusado responderá em concurso material, conforme o Artigo 69 do Código Penal, pelos crimes de estupro praticado por dez vezes contra a mesma vítima adolescente com emprego de grave ameaça (Artigo 213, caput, combinado com Artigo 71), importunação sexual praticada por duas vezes contra diferentes alunas no ambiente de aula (Artigo 215-A) e registro não autorizado de intimidade sexual praticado por duas vezes confirmadas mediante o uso de câmeras ocultas (Artigo 216-B).

O trabalho minucioso da 32ª DP, iniciado em 2024, uniu depoimentos cruzados, laudos psicológicos e perícias cibernéticas para fundamentar o pedido de prisão preventiva acolhido pela Justiça. A polícia não descarta a existência de outras vítimas que ainda não formalizaram denúncia, dado o longo período em que o acusado atuou no ramo de ensino musical em Samambaia.

O investigado permanece detido e à disposição da Justiça do Distrito Federal. A Polícia Civil reforça que o canal de denúncias anônimas permanece aberto para eventuais novas vítimas do falso mestre da música.

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