Preço é o principal obstáculo para canetas emagrecedoras no SUS, alerta SBEM

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Campanha pede inclusão de medicamentos contra obesidade no SUS (Foto: Instagram)

A obesidade é uma condição crônica, complexa e multifatorial, associada a mais de 200 doenças. O tratamento adequado pode impactar diretamente no controle e na remissão do diabetes tipo 2, na redução de riscos cardiovasculares e mortes súbitas relacionadas à apneia do sono, além de melhorar quadros de depressão e a qualidade de vida.

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O endocrinologista Clayton Luiz Dornelles Macedo, diretor de comunicação da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), destaca que, apesar do impacto sistêmico da doença, ela continua sendo a única sem medicamento disponível no Sistema Único de Saúde (SUS).

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Para mudar esse cenário, a SBEM lançou a campanha Tratamento da Obesidade: Acesso Já, com apoio de entidades como a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade (Abeso), a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD), a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

“A campanha busca democratizar o acesso a medicamentos adequados. Ela combate o estigma histórico que culpabiliza o paciente, reforçando que a obesidade envolve mecanismos biológicos e genéticos que requerem acompanhamento de longo prazo”, afirma Macedo.

O médico salienta a urgência da inclusão no SUS em um cenário de expansão científica e de mercado. Novas versões de tratamento aprovadas pela Anvisa podem reduzir o custo no mercado privado, mas a maioria da população ainda não tem acesso a esses medicamentos.

“O valor ainda inviabiliza o acesso da maior parte da população vulnerável, mantendo a ideia de que o tratamento é apenas para quem pode pagar”, reforça.

A endocrinologista Maria Edna de Melo, coordenadora do Departamento de Advocacy da Abeso e membro da Comissão de Relações Institucionais e Políticas Públicas da SBEM, sugere que parcerias público-privadas poderiam facilitar o acesso ao tratamento no setor público.

“Depende do interesse do Ministério da Saúde e da indústria em priorizar essa pauta. Além de medicamentos caros, como os análogos de GLP-1 e GLP-1/GIP, existem opções mais baratas, como a sibutramina, que custa cerca de R$ 30 e raramente é discutida para perfis específicos de pacientes”, explica.

Maria Edna complementa que é necessário democratizar uma linha de cuidados ampla, que vá além da prescrição médica. “Isso inclui capacitação profissional nas unidades básicas e programas intensivos e longitudinais para mudança de estilo de vida, com acompanhamento semanal para melhorar hábitos alimentares. O uso de medicamentos é parte desse processo”, diz.

PREVENÇÃO PODE REDUZIR CUSTOS FUTUROS NO SUS
Macedo enfatiza que, em relação aos custos, analistas e médicos sugerem que o orçamento para medicação deve ser visto sob a ótica da prevenção e economia futura. A falta de tratamento pode gerar outros custos para o sistema público, como cirurgias, próteses e complicações ósseas devido ao excesso de peso.

Além disso, há dados que indicam que a obesidade pode causar prejuízos econômicos diretos, como a perda de produtividade, expressos no absenteísmo e no presenteísmo, devido a dores, distúrbios do sono e comorbidades.

PROCURA POR MEDICAMENTOS FALSIFICADOS
Maria Edna alerta que, devido à falta de acesso, pacientes que não podem pagar buscam alternativas fora do sistema oficial, segundo levantamento da SBEM e da Abeso. Antes, a procura era por chás e produtos naturais sem orientação, que podem causar insuficiência hepática grave; agora, a preocupação é com medicamentos falsificados. A chegada de canetas e ampolas do Paraguai é alarmante.

Para oferecer mais opções ao consumidor, a Anvisa já aprovou três canetas emagrecedoras genéricas e similares em 2026, e o número pode chegar a oito até o final do ano. O objetivo é estimular a competição de preços, tornando os produtos mais acessíveis ao consumidor e, possivelmente, ao SUS.

O repórter viajou para acompanhar o CBEM 2026 a convite da Eli Lilly.

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