
Sombras ilustram a defesa de mulheres diante de agressões domésticas (Foto: Instagram)
A atualização do Mapa Nacional da Violência de Gênero, uma plataforma do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV) do Senado Federal, revelou que 29 milhões de brasileiras enfrentaram algum tipo de violência doméstica ou familiar nos últimos 12 meses. No entanto, 93,6% dessas vítimas não procuraram delegacias, o Ligue 180 ou o 190.
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O estudo destaca uma preocupante discrepância entre a vivência da violência e o reconhecimento dela pelas vítimas. Apenas 4% das participantes admitiram ter sofrido violência doméstica no período. No entanto, quando questionadas sobre situações específicas, sem a menção direta à palavra "violência", o número sobe para 33%.
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A quantidade de casos que nunca foram relatados às autoridades é aproximadamente 14,6 vezes maior do que aqueles que resultaram em denúncia ou uso de alguma proteção (6,4%).
Conforme a pesquisa, 33% das brasileiras passaram por alguma forma de violência doméstica ou familiar nos 12 meses anteriores à pesquisa — cerca de três em cada 10 mulheres. Além disso, mais de um terço das brasileiras já sofreu violência doméstica ou familiar em algum momento da vida.
Em 2025, 4% das entrevistadas afirmaram ter sofrido violência doméstica, enquanto outras 29% relataram experiências de violência sem nomeá-las como tal. Isso representa uma diminuição de um ponto percentual em relação a 2023, quando o índice era de 34%.
Entre as agressões, a violência psicológica (88%), moral (81%) e física (81%) são as mais frequentes, seguidas pela patrimonial (41%) e sexual (30%).
O vínculo mais comum entre agressor e vítima é afetivo — marido, companheiro ou namorado. Esse índice subiu de 58% em 2023 para 70% na pesquisa mais recente.
O segundo vínculo mais comum é o de ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado, responsável por 11% dos casos.
Pela primeira vez, a pesquisa investigou a presença de testemunhas durante as agressões. Dos casos reportados nos últimos 12 meses, 71% ocorreram na presença de outra pessoa — o que equivale a pelo menos 2.601.861 incidentes.
Boa parte dessas agressões ocorre diante de quem menos deveria presenciar: os filhos das vítimas.
Pelo menos 71% das testemunhas de violência doméstica são crianças, e quatro em cada cinco delas são filhos da vítima.
Em uma nota, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), relacionou a divulgação dos dados aos 20 anos da Lei Maria da Penha e às ações do Agosto Lilás, destacando a importância de compreender plenamente o fenômeno para combatê-lo. Segundo ele, "os resultados revelam uma dimensão ainda pouco visível da violência".
A 11ª edição da pesquisa também incluiu um estudo exploratório sobre violência contra mulheres trans e travestis. O levantamento aponta que este grupo continua sub-representado nas estatísticas oficiais brasileiras devido a falhas de registro, falta de dados públicos consistentes e dificuldade de acesso a políticas de proteção.
O estudo entrevistou 43 mulheres trans e travestis, das quais 70% se declararam pretas, pardas ou indígenas e 26%, brancas.
Mais da metade (56%) sofreu violência doméstica no último ano. Contudo, apenas 9% reconheceram espontaneamente o episódio como violência.
Entre os tipos de agressão relatados, a violência psicológica é a mais comum, presente em 95% dos casos. As violências física e moral aparecem em seguida, ambas em 88% dos relatos.
Embora desde 2022 a Lei Maria da Penha também proteja mulheres trans, após decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), 88% das vítimas ouvidas na pesquisa não buscaram serviços de proteção à mulher.
O perfil do agressor permanece concentrado em relacionamentos amorosos: marido, companheiro ou namorado da vítima. Em 60% dos relatos, no momento da agressão mais grave, o autor estava com ciúmes; em 50% estava inconformado com o término ou tentativa de término do relacionamento.







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